A imposição da sobretaxa aduaneira de 25% por parte dos Estados Unidos a produtos exportados pelo Brasil deflagrou um novo e tenso capítulo na polarização política do país. Na noite desta quarta-feira (15), após a Casa Branca declarar que o governo brasileiro não adotou uma postura técnica durante as negociações bilaterais, lideranças da oposição foram às redes sociais para responsabilizar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela retaliação comercial e acusá-lo de priorizar palanque político e ganho eleitoral em detrimento da estabilidade econômica.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) traçou uma dura comparação entre Lula e o ex-presidente norte-americano Joe Biden, questionando as faculdades de gestão e a compostura do petista diante do impasse com Donald Trump.
“Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto. O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação. Quem olha para o Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega!”, manifestou-se o parlamentar.
No âmbito estadual, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também condenou o caráter protecionista da barreira alfandegária norte-americana, mas fez questão de direcionar a culpa do insucesso das conversas para Brasília. Segundo o chefe do Executivo mineiro, a diplomacia brasileira falhou ao trocar o pragmatismo técnico por discursos com viés de campanha. “O governo brasileiro errou nas negociações, criando atritos desnecessários e adotando um discurso eleitoreiro. Se tivesse agido de maneira técnica e responsável, poderia ter evitado uma retaliação”, declarou Zema.
A resposta do Palácio do Planalto e de sua base governista foi imediata. O presidente Lula rebateu os ataques mirando a atuação da família Bolsonaro no cenário internacional. Aliados e parlamentares de esquerda também contra-atacaram os opositores utilizando o termo “falsos patriotas”, acusando-os de defender os interesses comerciais e políticos de Washington em vez de blindar o setor produtivo nacional diante do embargo tarifário.
Foto: Redação – Thiago Salles