Uma nova e contundente revelação balança os bastidores da política nacional e adiciona mais pressão sobre a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Uma fotografia obtida pelo veículo ICL Notícias em parceria com o Centro Latino-Americano de Investigación Periodística (CLIP) mostra o parlamentar em pose de proximidade ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido no submundo do crime como “Sicário” ou “Mexerica”. Mourão é apontado pela Polícia Federal (PF) como o operador central de um grupo clandestino voltado a ameaças, monitoramento e extorsões sob o comando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Para afastar dúvidas sobre a veracidade do material, a imagem passou por uma rigorosa auditoria técnica. Quatro das mais conceituadas ferramentas de detecção de inteligência artificial do mercado — Gemini, Hive Moderation, Sight Engine e Was It AI —, além do software InVID (especializado na identificação de montagens e manipulações digitais), analisaram o arquivo. O veredito pericial foi unânime: a foto é autêntica, não apresenta traços de edição e exibe total consistência na projeção de sombras, reflexos nos óculos escuros e iluminação dos dois indivíduos, confirmando que ambos dividiam o mesmo espaço físico em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro em 2022.
A defesa do senador apressou-se em minimizar o impacto da revelação. Em nota oficial, a assessoria de Flávio Bolsonaro declarou que, por se tratar de uma “figura pública e extremamente popular”, ele costuma tirar dezenas de fotos diárias com desconhecidos nas ruas, afirmando não conhecer “Sicário” e questionando a procedência do registro. Contudo, investigadores apontam que o histórico de Mourão afasta a tese de um encontro fortuito com um eleitor comum. Apontado como peça-chave de “A Turma” — o braço armado e de inteligência informal de Vorcaro —, “Sicário” acumulava passagens por estelionato, lavagem de dinheiro, pirâmides financeiras e agiotagem, além de responder a processos por organização criminosa em Belo Horizonte desde 2021. Ele cometeu suicídio em março deste ano, no exato momento em que recebia voz de prisão da PF. Mensagens interceptadas revelaram que ele e Vorcaro chegaram a planejar simular um assalto para intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
O episódio ganha contornos ainda mais graves por não ser o primeiro elo a interligar o clã Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Investigações anteriores publicadas pelo portal The Intercept Brasil já haviam exposto que Flávio Bolsonaro solicitou pessoalmente R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar a produção de Dark Horse, um documentário sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Desse montante, o empresário repassou comprovadamente R$ 61 milhões ao projeto, coordenado pelo deputado federal Mario Frias. À época, Flávio e Frias negaram veementemente os aportes financeiros, recuando e admitindo o vínculo apenas após o vazamento de áudios comprometedores. Até o momento, as contas da milionária produção cinematográfica seguem sem prestação pública de contas.
Foto: ICL Notícias / Divulgação / Redação – Thiago Salles