O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está avaliando a implantação de um mecanismo de segurança considerado mais rígido para momentos em que a produção de energia supera o consumo no país. A proposta inclui o corte automático de geração, especialmente em usinas de energia solar remota, como forma de preservar a estabilidade da rede elétrica.
A informação foi apresentada pelo diretor de Planejamento do ONS, que explicou que o sistema funcionaria como uma espécie de “segunda linha de defesa” em situações críticas. Hoje, já existe um modelo semelhante aplicado ao consumo, conhecido como esquema de alívio de carga, que desliga automaticamente parte da demanda quando há risco de colapso.
De acordo com a proposta em estudo, o novo mecanismo atuaria de forma automática quando sensores identificarem aumento excessivo da frequência na rede elétrica, indicando desequilíbrio entre geração e consumo. Nessa situação, o sistema poderia interromper a produção de energia de determinadas usinas para estabilizar o fornecimento.
O foco inicial da medida seria a chamada geração distribuída remota, especialmente projetos solares de maior porte conectados à rede de distribuição. Esse tipo de estrutura já vem sendo monitorado pelo ONS, que recentemente utilizou um plano emergencial para reduzir a geração de algumas usinas em situações de risco.
A expansão desse tipo de controle ocorre em meio ao crescimento acelerado da energia solar no Brasil, que, embora seja considerada uma fonte limpa, também traz desafios operacionais para o sistema elétrico, principalmente em períodos de baixa demanda e alta geração simultânea.
Especialistas do setor apontam que o avanço dessas medidas reflete a necessidade de modernização da gestão energética do país, mas também levanta debates sobre impactos econômicos e regulatórios para investidores do setor.
Foto: Domínio público
Redação – Ana Flavia