O avanço dos veículos elétricos trouxe uma nova realidade para a mobilidade urbana brasileira, mas também levantou uma preocupação importante para o futuro: o que fazer com as baterias quando elas deixam de atender às exigências dos veículos?
Buscando responder a essa questão, um projeto desenvolvido por instituições brasileiras está avaliando formas de reaproveitar baterias de ônibus elétricos antes que elas sejam encaminhadas para reciclagem. A iniciativa reúne especialistas do CPQD, da CPFL Energia, da BYD e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O estudo concentra-se em baterias de lítio-íon retiradas de ônibus elétricos que já não oferecem o desempenho necessário para operação nas ruas. Apesar da redução de capacidade para uso automotivo, muitos desses equipamentos ainda possuem potencial para funcionar em sistemas estacionários de armazenamento de energia.
Durante os testes, cerca de 500 células foram analisadas para avaliar sua condição operacional e determinar a viabilidade de reaproveitamento. Os resultados iniciais apontam que parte dessas baterias pode continuar em funcionamento por mais cinco a dez anos em aplicações alternativas.
Uma das principais utilizações estudadas envolve o armazenamento de energia gerada por sistemas fotovoltaicos. Nessa configuração, as baterias seriam responsáveis por guardar a eletricidade produzida pelos painéis solares durante o dia para utilização em horários de maior demanda ou durante períodos sem incidência solar.
Especialistas destacam que essa segunda vida útil pode representar uma importante contribuição para a sustentabilidade do setor elétrico. Além de reduzir o descarte prematuro de materiais valiosos, a estratégia ajuda a diminuir custos e aumenta o aproveitamento dos recursos já produzidos pela indústria.
O crescimento acelerado da mobilidade elétrica torna essa discussão cada vez mais relevante. À medida que mais ônibus, carros e caminhões elétricos entram em circulação, também aumenta o volume de baterias que futuramente precisarão de soluções adequadas para reaproveitamento ou reciclagem.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a iniciativa busca criar modelos que possam ser aplicados em larga escala no futuro, contribuindo para o desenvolvimento de uma economia circular voltada ao setor de energia e transporte sustentável.
A expectativa é que os resultados obtidos nas pesquisas auxiliem na criação de novas tecnologias e políticas para o gerenciamento dessas baterias, transformando um possível passivo ambiental em uma fonte adicional de armazenamento energético para o país.
Foto: Divulgação/CPQD, CPFL Energia, BYD e Unicamp
Redação – Ana Flavia