Vacina contra chikungunya é liberada no Brasil e especialistas fazem alerta sobre risco de sequelas permanentes.

Saúde e Bem Estar

A liberação da produção da vacina contra chikungunya no Brasil abriu um novo capítulo no combate às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. A autorização foi concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva.

A decisão permite que o Brasil passe a fabricar a vacina em território nacional, fortalecendo a estratégia de reduzir dependência internacional e ampliar o acesso da população ao imunizante. Especialistas acreditam que a medida poderá ajudar a diminuir surtos da doença, principalmente em regiões tropicais com alta circulação do mosquito.

A chikungunya é uma doença viral causada por um vírus do gênero Alphavirus e transmitida principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo responsável pela dengue e zika. Desde que chegou ao Brasil em 2014, a doença vem provocando sucessivas ondas epidêmicas em diferentes estados do país.

O principal temor das autoridades de saúde está relacionado às sequelas deixadas pela infecção. Diferentemente de outras arboviroses, a chikungunya pode causar dores articulares intensas e prolongadas, que permanecem mesmo após o desaparecimento da febre e dos sintomas iniciais.

Entre os sinais mais comuns estão febre alta repentina, dores musculares, manchas vermelhas pelo corpo, fadiga extrema e inchaço nas articulações. Em muitos pacientes, as dores persistem por meses ou até anos, comprometendo atividades básicas do cotidiano e reduzindo drasticamente a qualidade de vida.

Segundo especialistas, parte dessas sequelas ocorre porque o sistema imunológico continua reagindo ao vírus mesmo após a fase aguda da doença. Esse processo inflamatório prolongado pode gerar quadros semelhantes à artrite crônica.

A Organização Mundial da Saúde também acompanha o avanço da chikungunya em diversos países, principalmente em regiões afetadas pelo crescimento da população do mosquito transmissor devido às mudanças climáticas e ao aumento das temperaturas.

Além da vacinação, autoridades reforçam que o combate ao mosquito continua sendo essencial. A recomendação é eliminar recipientes com água parada, manter caixas d’água fechadas, limpar calhas e evitar acúmulo de lixo e entulhos próximos às residências.

Especialistas avaliam que a produção nacional da vacina representa um avanço importante para o sistema de saúde brasileiro, mas destacam que o imunizante sozinho não será suficiente para controlar a doença sem ações contínuas de prevenção e conscientização da população.

Foto: Instagram
Redação – Thiago Salles

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