O cruzeiro MV Hondius se tornou centro de uma grande operação sanitária internacional após um surto de hantavírus provocar mortes e gerar preocupação em diferentes países. A embarcação, que transporta mais de 140 passageiros e tripulantes, deve chegar às Ilhas Canárias neste domingo cercada por protocolos de emergência montados pelas autoridades espanholas.
Até o momento, pelo menos três passageiros morreram após apresentarem sintomas compatíveis com a doença. Outros casos suspeitos seguem sendo monitorados, enquanto equipes médicas internacionais trabalham para rastrear possíveis contatos e evitar novas transmissões.
O surto teria começado durante uma viagem de observação de aves realizada por um casal holandês antes do embarque do cruzeiro na Argentina. Investigadores suspeitam que eles tenham sido os primeiros infectados pelo vírus, embora ainda não exista confirmação oficial sobre onde ocorreu a contaminação.
O homem morreu primeiro dentro da embarcação. Dias depois, sua esposa também faleceu após ser retirada do navio e levada para atendimento médico na África do Sul. Posteriormente, exames confirmaram infecção por hantavírus.
A situação provocou alerta mundial porque a cepa identificada no navio seria a variante Andes, considerada rara e potencialmente capaz de transmissão entre humanos em situações específicas, segundo especialistas internacionais.
Apesar da preocupação crescente, a Organização Mundial da Saúde afirma que o risco global ainda é considerado baixo. O hantavírus normalmente é transmitido por contato com urina, fezes ou saliva de roedores contaminados.
Enquanto o navio segue viagem rumo à Espanha, autoridades espanholas organizam uma grande operação logística para desembarcar os passageiros de forma controlada. Segundo o governo local, pequenos barcos serão utilizados para retirar grupos reduzidos da embarcação até ônibus especiais preparados para transporte seguro.
Os Estados Unidos já confirmaram o envio de uma aeronave para buscar seus cidadãos nas Ilhas Canárias. Passageiros americanos deverão ser levados diretamente para uma unidade de quarentena e biocontenção no estado de Nebraska.
O Reino Unido também confirmou ações emergenciais para retirar seus cidadãos do navio, enquanto outros governos ainda não divulgaram oficialmente seus planos de evacuação.
Além das mortes confirmadas, existe preocupação com dezenas de pessoas que já haviam deixado o cruzeiro anteriormente em diferentes países. Autoridades tentam localizar passageiros que desembarcaram na ilha de Santa Helena semanas antes da confirmação oficial do surto.
Entre os casos monitorados está o de um morador da remota ilha de Tristão da Cunha, território britânico no Atlântico Sul, que apresentou sintomas e precisou ser hospitalizado.
Equipes sanitárias internacionais também trabalham para rastrear possíveis contatos de passageiros infectados durante escalas e voos internacionais realizados antes da descoberta oficial da doença.
Nos Estados Unidos, autoridades afirmaram que alguns passageiros já retornaram para casa e seguem sendo monitorados preventivamente. Até agora, nenhum apresentou sintomas graves.
O caso passou a ser acompanhado de perto por autoridades de saúde pública devido ao potencial risco internacional e à dificuldade de rastreamento dos passageiros espalhados em diferentes países.
Foto: Misper Apawu
Redação – Thiago Salles