Uma mulher egípcia grávida e seus dois filhos foram autorizados a entrar oficialmente no Brasil após permanecerem quase um mês retidos na área restrita do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A família havia chegado ao país no dia 8 de abril e solicitou refúgio diante da crise humanitária e da instabilidade enfrentada no Oriente Médio.
Apesar da liberação da mãe e das crianças, o pai da família, identificado como Abdallah Montaser, segue impedido de ingressar no território brasileiro.
Segundo o advogado da família, a decisão representa um avanço importante, mas ainda insuficiente, já que a reunificação familiar continua pendente.
A mulher estava na 34ª semana de gestação e, conforme relatos da defesa, precisou receber atendimento médico após apresentar preocupação com a falta de movimentos do bebê.
Além disso, uma das crianças possui doença celíaca e intolerância à lactose, situação que teria agravado ainda mais as dificuldades enfrentadas durante o período de permanência na área restrita do aeroporto.
O caso ganhou ampla repercussão após entidades de direitos humanos denunciarem as condições enfrentadas pela família e classificarem a retenção prolongada como possível violação de direitos fundamentais.
Organizações de apoio a migrantes e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados acompanharam o caso e pressionaram por uma solução humanitária.
Após a liberação, a mulher e os filhos passaram a ser acolhidos por entidades de apoio a refugiados e imigrantes em São Paulo.
O Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante afirmou que situações semelhantes vêm ocorrendo com frequência no aeroporto de Guarulhos, envolvendo pessoas que chegam ao país em busca de proteção humanitária.
A entidade também relembrou o caso de um cidadão ganês que morreu em 2024 enquanto aguardava decisão migratória na área restrita do aeroporto.
O episódio reacendeu debates sobre políticas migratórias, acolhimento humanitário e os procedimentos adotados pelas autoridades brasileiras em casos de pedidos de refúgio internacional.
Foto: Reprodução
Redação – Thiago Salles