Caso Benício: erro médico ou cadeia de falhas? Morte de menino de 6 anos gera guerra de versões.

Brasil

A morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, em Manaus, passou a ser tratada como um possível caso de erro médico com desdobramentos judiciais complexos. A Polícia Civil do Amazonas concluiu o inquérito apontando que a criança recebeu adrenalina de forma inadequada — aplicada diretamente na veia, quando o correto seria por inalação.

Com base nessa conclusão, uma médica e uma técnica de enfermagem foram indiciadas por homicídio doloso, sob a justificativa de que teriam assumido o risco do resultado fatal. A decisão trouxe forte repercussão e abriu debate sobre responsabilidade profissional na área da saúde.

Segundo as investigações, o menino deu entrada no hospital com sintomas respiratórios leves, incluindo tosse seca e suspeita de laringite. Durante o atendimento, foi prescrita a administração de três doses de adrenalina. A aplicação, no entanto, teria sido realizada de forma intravenosa. Após a primeira dose, a criança apresentou piora imediata, com sinais de palidez e dificuldade respiratória.

O quadro evoluiu rapidamente, com o menino sofrendo múltiplas paradas cardíacas até ser transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde faleceu horas depois.

A defesa da médica, por outro lado, contesta de forma veemente o indiciamento. Em nota, afirma que não existe relação direta entre a conduta inicial e a morte da criança, destacando que o óbito ocorreu cerca de 14 horas depois, já sob cuidados de outra equipe médica.

Os advogados sustentam que houve uma sucessão de falhas dentro da unidade hospitalar, incluindo dificuldades em procedimentos de intubação, possíveis erros técnicos na UTI e até complicações decorrentes de broncoaspiração. Também mencionam uma possível falha no sistema eletrônico do hospital, que teria contribuído para a execução equivocada da medicação.

Outro ponto levantado pela defesa é que a equipe de enfermagem teria executado o procedimento de forma incorreta, mesmo diante de dúvidas sobre a prescrição, sem buscar confirmação adequada.

Além disso, relatos incluídos na investigação indicam que a própria médica teria reconhecido um possível erro durante o atendimento, em mensagens trocadas com colegas, o que também passou a integrar o conjunto de provas analisadas pelas autoridades.

O hospital onde ocorreu o atendimento ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. A defesa da técnica de enfermagem também não foi localizada até o momento.

O episódio segue gerando comoção e levanta questionamentos sobre protocolos médicos, falhas sistêmicas e a linha tênue entre erro humano e responsabilidade criminal na área da saúde.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Redação – Thiago Salles

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