A presença crescente de empresas chinesas no agronegócio brasileiro tem chamado atenção e já levanta discussões sobre o futuro do setor. Durante a Agrishow, realizada em Ribeirão Preto, a tecnologia asiática ganhou protagonismo com soluções inovadoras que vão desde tradução em tempo real até automação completa no campo.
Uma das cenas que mais impressionaram visitantes foi o uso de celulares com inteligência artificial capazes de traduzir instantaneamente conversas entre expositores chineses e produtores brasileiros. A ferramenta simboliza o avanço tecnológico que essas empresas buscam trazer ao país.
O crescimento é evidente: o número de companhias chinesas presentes na feira saltou de menos de 20 no ano anterior para mais de 50 nesta edição. A iniciativa é coordenada pela Rhino Agri, plataforma que reúne centenas de fabricantes com o objetivo de expandir negócios no Brasil.
Segundo representantes do grupo, o país é visto como estratégico tanto pelo tamanho do agronegócio quanto pelo potencial de crescimento em automação. A proposta inclui não apenas vender equipamentos, mas também estruturar uma base permanente de negócios em território brasileiro.
Entre os destaques estão máquinas equipadas com inteligência artificial, sensores avançados e soluções voltadas à agricultura de precisão. Empresas como a XCMG apresentaram novas gerações de tratores, enquanto a DJI Agriculture reforçou sua aposta em drones, que já se tornaram ferramentas essenciais em diversas regiões do país.

O uso desses equipamentos cresce rapidamente. Dados do Ministério da Agricultura indicam que o número de drones no campo brasileiro saltou de cerca de 3 mil em 2021 para mais de 35 mil recentemente, evidenciando a transformação digital do setor.
Além da eficiência operacional, empresas também destacam ganhos em sustentabilidade e redução de custos, fatores que têm impulsionado o interesse dos produtores.
Apesar do entusiasmo, o avanço estrangeiro também levanta questionamentos sobre dependência tecnológica e competitividade da indústria nacional. Ainda assim, especialistas avaliam que a tendência é de integração e modernização acelerada do campo brasileiro.
Foto: Fabio Melo/Estadão
Redação – Thiago Salles