Uma transformação silenciosa está ganhando força no campo brasileiro e pode redefinir o futuro da produção agrícola. O uso de bioinsumos — produtos de origem biológica aplicados para melhorar o solo e combater pragas — tem avançado rapidamente e já é visto como uma das principais apostas do setor.

O produtor rural Ricardo Gontijo Eleoterio, que cultiva cana-de-açúcar, soja e amendoim em diferentes estados, começou a testar esses insumos há cerca de cinco anos. Desde então, os resultados positivos levaram à expansão do uso, que hoje já representa até 70% dos produtos aplicados em algumas etapas da produção.
Os bioinsumos incluem biofertilizantes, inoculantes e agentes de controle biológico, sendo desenvolvidos a partir de microrganismos e extratos naturais. Além de contribuírem para a fertilidade do solo, também ajudam a reduzir a dependência de produtos químicos tradicionais.

Durante a Agrishow, considerada a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, o tema deve ganhar ainda mais destaque como tendência para os próximos anos.
Um dos principais atrativos para os produtores é o custo. Em determinadas aplicações, como no tratamento da cana-de-açúcar, o valor por hectare pode cair drasticamente — passando de cerca de R$ 250 para R$ 60, segundo relatos do próprio agricultor.
Apesar das vantagens, especialistas apontam que os bioinsumos ainda não substituem totalmente os químicos, especialmente em condições climáticas adversas. Em períodos de seca ou queimadas, por exemplo, sua eficácia pode ser reduzida, exigindo o uso combinado das duas tecnologias.
O crescimento desse mercado vem sendo acompanhado por instituições como a Embrapa e a FAO, que destacam o potencial dos biológicos para aumentar a produtividade com menor impacto ambiental.
Dados de consultorias internacionais indicam que o mercado global de bioinsumos movimentou cerca de US$ 15 bilhões em 2023 e pode triplicar até 2032. No Brasil, o avanço é ainda mais acelerado, com crescimento médio de cerca de 20% ao ano.
O país já figura entre os três maiores consumidores do mundo, com participação relevante no mercado global. Além disso, iniciativas como biofábricas e associações de produtores têm ajudado a ampliar o acesso e reduzir custos.
Para especialistas do setor, os bioinsumos representam mais do que uma tendência — são parte de uma mudança estrutural na forma de produzir alimentos, com foco em sustentabilidade, inovação e independência tecnológica.
Foto: Acervo Pessoal
Redação – Thiago Salles