Um vídeo gravado por um produtor rural de Urubici, na Serra catarinense, chamou a atenção nas redes sociais ao mostrar uma cena impactante: cerca de 50 toneladas de ameixa descartadas no chão por falta de compradores.
Visivelmente abalado, o agricultor relata que não conseguiu vender a safra e decidiu liberar a colheita gratuitamente para quem quisesse ir até a propriedade buscar as frutas antes que apodrecessem. O gesto, além de comover, evidenciou um problema estrutural que afeta produtores em diversas regiões do Brasil.
A ameixa é uma fruta altamente perecível, o que exige comercialização rápida após a colheita. Sem compradores e sem estrutura adequada de armazenamento, como câmaras frias, muitos produtores acabam sem alternativa além do descarte.
Além disso, o custo do transporte até grandes centros consumidores pesa no bolso. Regiões como Urubici, apesar de ideais para o cultivo de frutas de clima temperado, ficam distantes de mercados como São Paulo e Rio de Janeiro. O frete elevado, somado à queda de preços em períodos de safra abundante, pode tornar a venda inviável.
O episódio também levanta um debate importante: como um país que produz em grande escala ainda enfrenta desperdício de alimentos enquanto milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar.
Especialistas apontam que o problema vai além da produção. Falta infraestrutura logística, acesso a armazenamento refrigerado e políticas públicas eficazes que conectem produtores a programas de distribuição, como bancos de alimentos e instituições sociais.
Outra solução seria o processamento da fruta em produtos como polpas, geleias ou frutas desidratadas, aumentando o tempo de conservação. No entanto, a ausência de agroindústrias próximas e com capacidade suficiente limita essa alternativa.
O caso de Urubici não é isolado. Situações semelhantes ocorrem todos os anos com diferentes culturas agrícolas, especialmente aquelas com curto prazo de validade, como morango, tomate e pêssego.
Mais do que uma cena triste, o vídeo do produtor revela uma contradição do sistema: abundância no campo e desperdício, enquanto a distribuição falha em levar alimento até quem precisa.
O episódio reacende o debate sobre a necessidade de investimentos em logística, armazenamento e políticas de escoamento da produção agrícola no Brasil.
Foto: Reprodução
Redação – Thiago Salles