Imagem inédita revela coração da Via Láctea e cientistas dizem que pode explicar origem das estrelas.

Ciência

Astrônomos conseguiram registrar a imagem mais detalhada já obtida do centro da Via Láctea, revelando estruturas e movimentos de gás molecular que ajudam a compreender como estrelas e planetas se formam na galáxia.

O novo mapa foi produzido após quatro anos de observações utilizando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), um dos telescópios mais avançados do planeta. O equipamento é composto por mais de 50 antenas instaladas em um planalto nos Andes chilenos.

A pesquisa faz parte de um grande projeto internacional chamado ACES (Atacama Large Millimeter Array Central Molecular Zone Exploration Survey), que reuniu cientistas de vários países para investigar a região mais densa e turbulenta da nossa galáxia.

No centro da Via Láctea está a chamada Zona Molecular Central, uma área repleta de nuvens de gás frio e poeira cósmica. É justamente nesse ambiente que se encontra a matéria-prima necessária para o nascimento de novas estrelas e sistemas planetários.

No núcleo dessa região está Sagitário A*, um buraco negro supermassivo com aproximadamente quatro milhões de vezes a massa do Sol. Sua enorme força gravitacional influencia o movimento das gigantescas nuvens de gás ao redor.

Segundo os pesquisadores, estudos anteriores da Via Láctea funcionavam como pequenos “recortes” de diferentes partes da galáxia. O novo mapa, no entanto, permite observar a região central de forma completa, semelhante a uma visão aérea de toda uma cidade.

A imagem obtida não representa exatamente o que os olhos humanos veriam no espaço. As cores vibrantes foram atribuídas artificialmente pelos cientistas para destacar diferentes moléculas e movimentos do gás detectados pelo telescópio.

Para identificar esses elementos, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada espectroscopia, que analisa variações na frequência da luz emitida pelas moléculas presentes no espaço. Esse método permite determinar a composição química do gás e até a velocidade com que ele se movimenta.

Durante o estudo, os cientistas detectaram mais de 70 tipos diferentes de assinaturas moleculares, incluindo compostos orgânicos complexos como metanol e etanol. Alguns desses elementos são considerados precursores químicos importantes para a formação de moléculas fundamentais à vida.

Além de revelar detalhes inéditos sobre o centro da Via Láctea, o estudo também pode ajudar a entender como era o universo há bilhões de anos. As condições encontradas nessa região da galáxia são semelhantes às que existiam quando o sistema solar começou a se formar, cerca de 4,5 bilhões de anos atrás.

O projeto contou com a colaboração de cerca de 160 pesquisadores de diferentes instituições ao redor do mundo, além de engenheiros e operadores responsáveis pelo funcionamento das antenas do ALMA no Chile.

Para os cientistas envolvidos, esse tipo de cooperação internacional demonstra como a astronomia moderna depende cada vez mais de grandes redes de pesquisa para desvendar os mistérios do universo.

Foto: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
Redação – Thiago Salles

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