Pesquisadores identificaram fragmentos do que pode ser o mapa do céu mais antigo já produzido pela humanidade. O material foi encontrado escondido sob um manuscrito religioso medieval, revelando coordenadas estelares atribuídas ao astrônomo grego Hiparco.
A descoberta foi possível graças ao estudo de um antigo pergaminho reutilizado, conhecido como palimpsesto. Esse tipo de documento era comum na Idade Média, quando textos antigos eram raspados para que o pergaminho pudesse ser reutilizado para novas escritas.
No caso analisado pelos cientistas, monges escreveram um texto religioso em siríaco sobre um documento muito mais antigo que continha anotações astronômicas.
Utilizando tecnologias modernas, como imagens multiespectrais e escaneamento por raios X, os pesquisadores conseguiram revelar camadas de tinta invisíveis a olho nu. Sob o texto religioso surgiram coordenadas estelares e trechos do que pode ser o lendário catálogo de estrelas criado por Hiparco.
O astrônomo grego viveu aproximadamente entre 190 a.C. e 120 a.C. e é considerado um dos fundadores da astronomia observacional. Ele foi um dos primeiros cientistas a tentar catalogar estrelas com base em suas posições no céu.
Segundo os especialistas, o catálogo original provavelmente listava centenas de estrelas e indicava suas posições utilizando um sistema de coordenadas celestes, método que mais tarde se tornaria fundamental para a astronomia moderna.
As análises indicam que as medições feitas por Hiparco eram surpreendentemente precisas para a época. Mesmo observando o céu apenas a olho nu, o astrônomo teria conseguido determinar posições estelares com alto grau de exatidão.
O manuscrito onde os registros foram encontrados faz parte do chamado Codex Climaci Rescriptus, uma coleção de textos antigos preservados ao longo de séculos em bibliotecas monásticas.
Durante esse longo período, o pergaminho foi reutilizado diversas vezes, o que acabou escondendo o conteúdo original sob várias camadas de escrita.
Para os cientistas, a descoberta pode ajudar a reconstruir parte do catálogo estelar perdido de Hiparco e oferecer novas pistas sobre o desenvolvimento inicial da astronomia científica.

Foto: Jacqueline Remseyer Orell
Redação – Thiago Salles