Uma investigação conduzida por autoridades brasileiras revelou um esquema de produção e venda de armas feitas com impressoras 3D que eram comercializadas pela internet. Segundo informações divulgadas durante coletiva de imprensa, os armamentos e peças eram vendidos em plataformas de comércio eletrônico utilizadas no país.

O caso foi descoberto durante a Operação Shadowgun, conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro em conjunto com o Ministério Público e o Ministério da Justiça. A investigação aponta que o grupo envolvido não apenas produzia as armas utilizando impressoras 3D, como também vendia peças e projetos digitais necessários para fabricar os equipamentos.
De acordo com a promotora Letícia Emile, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio, os investigadores identificaram diversas transações envolvendo componentes de armamentos comercializados online.
Durante a apuração do caso, foram detectadas cerca de 75 transações relacionadas à venda dessas peças em plataformas de comércio eletrônico utilizadas no Brasil. Para as autoridades, a facilidade de acesso a esses produtos aumenta o risco de disseminação desse tipo de armamento.
Segundo os investigadores, a utilização dessas armas já foi registrada em apreensões realizadas pela polícia no estado do Rio de Janeiro.
Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi o fato de que os suspeitos não vendiam apenas as armas já produzidas. O grupo também comercializava o projeto digital que permite fabricar os armamentos utilizando impressoras 3D.
De acordo com o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, os investigados ofereciam inclusive instruções detalhadas para que os compradores pudessem fabricar o armamento em casa.
Esse tipo de prática preocupa as autoridades porque permite que qualquer pessoa com acesso à tecnologia necessária possa produzir armas de fogo fora dos sistemas tradicionais de controle estatal.
Segundo o delegado Marcos Buss, titular da 32ª Delegacia de Polícia, um dos modelos investigados foi a carabina chamada Urutau. O projeto teria sido criado por um brasileiro que utilizava o pseudônimo “Zé Carioca”.
De acordo com os investigadores, esse modelo pode ser produzido integralmente com o uso de uma impressora 3D e materiais relativamente baratos, com custo estimado de cerca de R$ 800.
Além do baixo custo de produção, o acesso ao projeto digital permite que qualquer pessoa consiga fabricar o armamento dentro de casa.
Durante as investigações, as autoridades também identificaram que alguns dos compradores dessas peças possuíam ligação com atividades criminosas, incluindo tráfico de drogas, milícias e homicídios.
Os compradores identificados foram alvos de mandados de busca e apreensão em diferentes regiões do país.
Ao todo, a Operação Shadowgun cumpriu cinco mandados de prisão e 36 mandados de busca e apreensão em 11 estados brasileiros, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo.
Até o momento, quatro pessoas foram presas, incluindo o homem apontado como líder do grupo investigado.
As investigações também identificaram ao menos 79 compradores espalhados pelo país, sendo que parte deles já possuía antecedentes criminais.
Segundo as autoridades, os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de fogo.

Foto: Polícia Civil / Divulgação
Redação – Thiago Salles