Um dos fenômenos geotérmicos mais raros do planeta voltou a apresentar atividade nos Estados Unidos. O gêiser Echinus, localizado dentro do Parque Nacional de Yellowstone, retomou suas erupções após permanecer cerca de seis anos sem registros de atividade.
A formação natural fica na região conhecida como Norris Geyser Basin e é considerada o maior gêiser ácido do mundo. Cientistas e funcionários do parque observaram no início de fevereiro novos jatos de água quente e vapor que podem atingir entre 6 e 9 metros de altura.
O retorno da atividade foi confirmado por especialistas do United States Geological Survey, que acompanham constantemente o comportamento geológico da região de Yellowstone.
O Echinus chama atenção dos pesquisadores por possuir uma composição química incomum. Diferente da maioria das fontes termais, que apresentam água neutra ou alcalina, esse gêiser possui um nível elevado de acidez. Normalmente, ambientes tão ácidos acabam destruindo as estruturas subterrâneas que permitem a formação de um gêiser.
No entanto, no caso do Echinus, ocorre um raro equilíbrio entre água subterrânea e gases ácidos que mantém intacta a estrutura mineral responsável pela pressão do vapor. Esse mecanismo permite que o sistema continue funcionando e produza erupções periódicas.
A piscina principal do gêiser possui cerca de 20 metros de largura e apresenta bordas pontiagudas formadas por depósitos de sílica. Essas estruturas lembram pequenos espinhos de ouriços-do-mar, o que inspirou o nome “Echinus”.
Os minerais presentes na água também criam um espetáculo visual ao redor da formação. Sedimentos ricos em ferro, alumínio e arsênio geram cores vibrantes que variam entre tons de vermelho, laranja e amarelo.
O comportamento do gêiser já mudou diversas vezes ao longo das últimas décadas. Na década de 1970, as erupções eram extremamente regulares, ocorrendo em intervalos que variavam entre 40 e 80 minutos. Já nos anos 1980 e 1990, alguns jatos chegaram a ultrapassar 20 metros de altura.
Com o passar do tempo, a atividade diminuiu gradualmente até entrar em um longo período de inatividade no início da década de 2020. A nova fase observada em 2026 marca o retorno de um dos sistemas geotérmicos mais curiosos do planeta.
O fenômeno ocorreu praticamente no mesmo período em que outro gigante geotérmico da região também entrou em atividade: o Steamboat Geyser, considerado o gêiser mais alto do mundo.
Apesar da coincidência, especialistas afirmam que não existe evidência de aumento de atividade vulcânica na região. De acordo com o monitoramento científico, o sistema geológico de Yellowstone permanece estável.
Mesmo assim, autoridades do parque reforçam alertas para visitantes. A água expelida pelo gêiser pode ultrapassar 90 °C, temperatura suficiente para causar queimaduras graves. Além disso, o solo na região geotérmica é fino e pode ceder em áreas fora das passarelas oficiais.
O retorno do Echinus reforça o fascínio científico e turístico que Yellowstone exerce há décadas. A região abriga a maior concentração de gêiseres ativos do planeta, transformando o parque em um dos laboratórios naturais mais importantes para o estudo da geologia e da atividade hidrotermal.

Foto: Fabio Lucas Carvalho
Redação Brasil News