A pancreatite, inflamação que atinge o pâncreas e pode comprometer o funcionamento do sistema digestivo, tem causas conhecidas como cálculos biliares e consumo excessivo de álcool. No entanto, especialistas alertam que alguns medicamentos também podem desencadear o quadro por mecanismos diretos e indiretos, exigindo atenção médica no uso contínuo dessas substâncias.

De acordo com a endocrinologista Andressa Heimbecher, certos fármacos podem provocar toxicidade direta nas células pancreáticas, o que, embora raro, faz parte dos riscos farmacológicos conhecidos. Entre os medicamentos associados estão alguns antibióticos, anti-inflamatórios e quimioterápicos. Outra via importante é o aumento significativo dos triglicerídeos, especialmente quando ultrapassam níveis elevados, o que pode favorecer o processo inflamatório.
Diversas classes de medicamentos podem provocar alterações metabólicas, como anticoncepcionais, reposição hormonal, corticoides, diuréticos, betabloqueadores e isotretinoína. Antipsicóticos e alguns antirretrovirais também estão associados ao aumento de peso e alterações lipídicas. Há ainda substâncias que interferem na motilidade intestinal, como opioides e anticolinérgicos, podendo elevar a pressão no ducto pancreático e contribuir para a inflamação em situações mais raras.
A especialista também esclarece o debate sobre as chamadas canetas emagrecedoras. Estudos mais recentes não confirmaram relação direta com pancreatite, indicando que o alerta presente em bulas permanece por precaução. Segundo ela, o risco associado ao consumo excessivo de álcool continua sendo significativamente maior e mais frequente, devendo receber maior atenção da população.
Foto: Freepik / Banco de Imagens
Redação Brasil News