O apagão que mergulhou São Paulo no caos em dezembro foi muito maior do que a população imaginava. A concessionária Enel informou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que cerca de 4,4 milhões de clientes foram afetados pela interrupção de energia no dia 10 — número que equivale ao dobro do divulgado durante a crise.
Segundo a empresa, os 2,2 milhões de consumidores citados anteriormente representavam apenas o pico de desligamentos simultâneos, e não o total acumulado de unidades afetadas ao longo de mais de 12 horas de vendavais intensos. À medida que algumas regiões tinham o fornecimento restabelecido, outras passavam a sofrer novas quedas de energia, ampliando drasticamente o impacto ao longo do dia.
Em documento enviado à Aneel em 19 de dezembro, a Enel explicou que a revisão dos dados ocorreu após uma análise mais detalhada do evento climático extremo. O relatório aponta que cerca de 1,1 milhão de clientes tiveram a energia reconectada automaticamente pelos sistemas da rede, enquanto outros 3,2 milhões dependeram da atuação direta de equipes em campo.
O vendaval que atingiu a capital paulista registrou rajadas de até 98 km/h, a maior velocidade desde o início das medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1963. O fenômeno causou queda de árvores, danos à infraestrutura elétrica e um efeito dominó de transtornos em toda a cidade, deixando milhões de moradores sem energia em pleno período de calor intenso.
A crise ampliou a pressão política sobre a concessionária. Em dezembro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador paulista e o prefeito Ricardo Nunes anunciaram formalmente o pedido de caducidade do contrato da Enel em São Paulo. A Aneel informou que utilizará um processo já aberto em 2024 para acelerar a apuração das falhas e garantir o direito de defesa da empresa.
Após a repercussão negativa, a Enel afirmou estar disposta a ampliar investimentos, incluindo o enterramento da fiação elétrica, e voltou a defender sua atuação na capital. Ainda assim, o episódio reforçou o desgaste da concessionária e reacendeu o debate sobre a qualidade dos serviços essenciais na maior cidade do país.
Foto: Tiago Queiroz / Estadão
Redação Brasil News