Turismo manchado de sangue: casal gay diz que quase foi morto em Porto de Galinhas e expõe versões contraditórias.

Brasil

O caso que chocou o país e ganhou repercussão nacional segue provocando indignação. O casal formado por Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, vítimas de um espancamento coletivo em Porto de Galinhas, usou as redes sociais nesta terça-feira (30) para rebater as versões apresentadas por barraqueiros envolvidos na confusão.

Em vídeo, os dois negam que estivessem alcoolizados ou alterados no momento da abordagem. Segundo eles, o consumo no local foi mínimo e devidamente pago. O casal afirma que quitou R$ 80 referentes ao uso das cadeiras, além de duas águas de coco, totalizando R$ 94, pagamento que, inclusive, foi feito enquanto Johnny recebia atendimento médico no hospital.

Após a divulgação das imagens da agressão, trabalhadores da barraca afirmaram que não houve homofobia e alegaram que os turistas teriam se recusado a pagar a cobrança. Um dos barraqueiros chegou a dizer que foi agredido e que teria desmaiado após sofrer um golpe durante a confusão. Outra funcionária declarou que o casal estaria agressivo desde a manhã, versão que os dois classificam como mentirosa.

A violência gerou reação imediata do governo estadual. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, classificou o episódio como um “crime grave” e informou que ao menos 14 pessoas já foram identificadas pela polícia. Segundo ela, os envolvidos serão indiciados e responsabilizados. A gestora também pediu desculpas públicas às vítimas em nome do povo pernambucano.

No âmbito municipal, a Prefeitura de Ipojuca determinou a suspensão das atividades da barraca onde ocorreu a agressão por sete dias e o afastamento preventivo dos funcionários envolvidos. A gestão também anunciou reforço na fiscalização da orla, combate à venda casada e maior rigor no cumprimento do Código de Defesa do Consumidor.

Johnny Andrade relatou momentos de terror ao ser cercado por cerca de 20 pessoas e agredido com chutes, socos e até cadeiras. “Se a gente não tivesse conseguido sair dali, eles iriam matar a gente. Eu vi a morte na nossa frente”, afirmou. Para ele, a violência foi intensificada após os agressores identificarem que se tratava de um casal gay.

A Polícia Civil de Pernambuco instaurou inquérito para apurar os fatos e informou que as investigações seguem em andamento. O caso reacende o debate sobre violência, homofobia e abusos contra turistas em um dos destinos mais famosos do Brasil, colocando Porto de Galinhas no centro de uma crise de imagem e segurança.

Foto: Reprodução

Redação Brasil News

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