Padaria da Zona Sul aposta em garçons robôs e conquista público com atendimento inusitado.

Tecnologia

O movimento em uma tradicional padaria da Vila Clementino, Zona Sul de São Paulo, ganhou um reforço inesperado: a presença de três garçons robôs que circulam entre as mesas, entregam pedidos, recolhem louças e chamam a atenção dos clientes pela simpatia digital e pela precisão nos movimentos.

Os robôs — apelidados de Virgulino, Virgulina e Virgulino Júnior — começaram a operar em setembro e rapidamente se tornaram parte da rotina da casa. Programados para pedir passagem educadamente e identificar quando um pedido é retirado da bandeja, eles foram adotados pelo estabelecimento como uma solução diante da dificuldade de contratação de funcionários desde a pandemia.

Clientes que visitam o local pela primeira vez costumam se surpreender. “Vim conhecer justamente por causa do atendimento com robô. Achei divertido e diferente”, relatou uma das frequentadoras, que acompanhava uma amiga encantada com o funcionamento da tecnologia. Para muitos, o diferencial está na combinação entre o atendimento humano e o apoio dos robôs, que agilizam o serviço sem substituir a interação pessoal.

O gerente e proprietário da padaria, Luis Pereira Ferreira, afirma que a ideia surgiu após uma conversa com um amigo que importa equipamentos tecnológicos. O primeiro robô foi testado para auxiliar exclusivamente na limpeza das mesas, mas, em pouco tempo, funcionários passaram a utilizá-lo também para levar pedidos diretamente aos clientes. O sucesso foi imediato, e hoje três robôs atuam simultaneamente — cada um atendendo até quatro mesas por vez.

De acordo com Ferreira, um dos modelos percorreu mais de 37 quilômetros dentro do salão em apenas um mês, realizando quase 185 mil entregas. O empresário ressalta, entretanto, que a automação não substitui a equipe humana: “Continuamos com várias vagas abertas. O robô vem para ajudar, não para tirar o emprego de ninguém.”

Funcionários também aprovaram a novidade. Para a atendente Elizabete Delmondes, os robôs agilizam o processo diário e reduzem deslocamentos repetitivos, permitindo que ela dedique mais tempo ao atendimento direto com os clientes.

A adoção desse tipo de tecnologia não é isolada. Relatórios internacionais — como o publicado pela Morgan Stanley — estimam que, até 2050, cerca de 1 bilhão de robôs humanoides estarão desempenhando tarefas repetitivas ou estruturadas em setores comerciais e industriais. Para especialistas, a tendência é de crescimento gradual ao longo da próxima década, acelerando conforme os custos diminuam e a tecnologia se aperfeiçoe.

Na Villa Clementino, porém, o futuro já chegou — e com direito a sorrisos digitais.


Foto: David Plassa / Terra
Redação Brasil News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *