O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (5) uma mudança profunda em sua política internacional ao divulgar sua nova Estratégia de Segurança Nacional. O documento estabelece que a América Latina passará a ocupar o centro das prioridades militares e diplomáticas do país, enquanto outras regiões do mundo terão parte das responsabilidades transferidas para aliados.
De acordo com a nova diretriz, os EUA irão promover um reajuste da presença militar global, concentrando esforços no Hemisfério Ocidental. O plano prevê ampliação da atuação da Marinha e da Guarda Costeira para controle de rotas marítimas, repressão ao tráfico de drogas, combate à imigração irregular e prevenção de crises na região.
Outro ponto de destaque da estratégia é o enfrentamento direto aos cartéis de drogas, com autorização para o uso de força letal em operações específicas, além da expansão do acesso militar a pontos considerados estratégicos na América Latina e no Caribe. A ofensiva ocorre em meio ao aumento das tensões com o governo da Venezuela e à intensificação de exercícios militares na região.
O documento também reafirma a aplicação da Doutrina Monroe, defendendo que os Estados Unidos não permitirão a presença militar ou o domínio de ativos estratégicos por potências externas no continente americano. A China, maior parceira comercial de vários países latino-americanos, é citada como a principal nação a ser contida nesse processo de reposicionamento geopolítico.
Além da América Latina, a nova política externa norte-americana estabelece diretrizes para outras regiões. No Leste Asiático, o governo pretende reforçar a presença militar e pressionar aliados como Japão e Coreia do Sul a aumentarem seus gastos com defesa, com foco especial em Taiwan. No Oriente Médio, a proposta é reduzir gradualmente a atuação direta e transferir parte das responsabilidades a parceiros regionais.
A imigração também aparece como tema central da estratégia. O governo norte-americano aponta o controle de fronteiras como pilar da segurança nacional e critica duramente as políticas migratórias adotadas por países europeus. Sobre a guerra na Ucrânia, o plano atribui à Europa entraves para um acordo de paz e defende uma reavaliação das expectativas do continente.
Especialistas avaliam que a nova estratégia representa uma guinada no posicionamento internacional dos Estados Unidos e pode gerar impactos diretos nas relações com países latino-americanos, inclusive o Brasil.

Jato de guerra decola do porta-aviões USS Gerald Ford, da Marinha dos Estados Unidos, no mar do Caribe em — Foto: Divulgação/Marinha dos Estados Unidos
Foto: Brian Snyder / Reuters
Redação Brasil News