O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, justificou a ordem de prisão preventiva contra o ex-presidente Jair Bolsonaro destacando indícios concretos de descumprimento de medidas cautelares e risco iminente de fuga. A decisão foi assinada após o sistema de monitoramento eletrônico do Distrito Federal registrar, pouco depois da meia-noite deste sábado (22), a violação da tornozeleira usada pelo ex-presidente desde julho.
Segundo Moraes, o rompimento do dispositivo não apenas demonstra tentativa de burlar a fiscalização, como também coincide com a convocação de uma vigília organizada pelo senador Flávio Bolsonaro em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar. Para o ministro, a movimentação de apoiadores poderia atuar como cobertura para uma possível evasão, repetindo, segundo suas palavras, “modus operandi utilizado por organização criminosa” já investigada pela Corte.
A decisão também aponta fatores que, na avaliação do STF, ampliam o risco de fuga. Entre eles, a curta distância entre a residência de Bolsonaro e a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília — cerca de 13 quilômetros — e o histórico de uma tentativa de buscar asilo político na Argentina durante etapas anteriores da investigação que culminou na condenação do ex-presidente.
Moraes afirma que a permanência de Bolsonaro em prisão domiciliar estava comprometida, uma vez que a aglomeração de apoiadores poderia prejudicar o trabalho da Polícia Federal e da Polícia Penal do Distrito Federal. O ministro reforçou ainda que a jurisprudência do STF autoriza a decretação de prisão quando há evidências de que o réu tenta se furtar ao cumprimento da lei penal.
Com a nova decisão, Bolsonaro foi conduzido pelas autoridades à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde permanece à disposição da Justiça.

Foto: Wilton Junior
Redação Brasil News