O Conselho de Segurança da ONU aprovou, nesta segunda-feira (17), a resolução que formaliza o plano de paz dos Estados Unidos para a reconstrução e estabilização da Faixa de Gaza. O texto recebeu 13 votos favoráveis, incluindo de países árabes, enquanto China e Rússia optaram pela abstenção, apesar de terem poder de veto.

Membros da Defesa Civil de Gaza carregam corpos que serão sepultados em cemitério na Faixa de Gaza — Foto: Omar AL-QATTAA / AFP
A proposta, formulada pelo governo Donald Trump, prevê a criação de uma força internacional encarregada de atuar dentro de Gaza para garantir desmilitarização, segurança e apoio à distribuição de ajuda humanitária. Também institui um conselho responsável por monitorar a implementação de todas as etapas do plano.
O embaixador americano, Mike Waltz, celebrou a aprovação e afirmou que o acordo representa uma “mudança de rota” para palestinos, israelenses e toda a região. O plano havia sido aceito inicialmente por Israel e pelo Hamas, embora ambos tenham divergências sobre pontos centrais.
Principais pontos da resolução
O documento aprovado estabelece:
- pausa completa nos combates;
- devolução de todos os reféns vivos e mortos capturados em 2023;
- libertação de centenas de palestinos detidos em Israel;
- entrada da força internacional de estabilização;
- criação de um Conselho da Paz com mandato até 2027;
- formação de uma administração tecnocrática palestina em Gaza;
- passos iniciais para reconstrução do enclave, que pode custar mais de US$ 70 bilhões.
Apesar do cessar-fogo, episódios de violência continuaram sendo relatados, incluindo ataques aéreos israelenses. Ainda assim, diplomatas consideraram o momento propício para viabilizar a resolução e avançar no processo político.
Reações e impasses
O Hamas rejeitou a ideia de uma força internacional com poder de atuar dentro de Gaza, afirmando que isso violaria sua neutralidade e favoreceria Israel. O grupo exigiu que qualquer missão multinacional atue somente nas fronteiras e sob controle direto da ONU.
Israel, por sua vez, condiciona qualquer acordo ao desarmamento total do Hamas, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu voltou a afirmar que não reconhece a criação de um Estado palestino.
O plano ainda prevê colaboração de Israel e Egito para treinar uma nova força policial palestina sem vínculos com o Hamas.
Caminho para um Estado palestino
A resolução também reforça a necessidade de reformas profundas na Autoridade Nacional Palestina e abre espaço para discussões sobre autodeterminação e formação de um Estado palestino, ponto defendido por países árabes e europeus, mas rejeitado pelo atual governo israelense.
Uma proposta alternativa apresentada por Rússia e China — que pedia o reconhecimento imediato do Estado palestino — foi esvaziada após ambos optarem pela abstenção para não bloquear a articulação americana.
A ONU estima que a reconstrução de Gaza levará anos e que o território ainda abriga toneladas de explosivos não detonados e materiais tóxicos entre os escombros.
Foto: Omar Al-Qattaa / AFP
Redação Brasil News