Tabus ainda afastam homens do diagnóstico precoce do câncer de próstata, alertam especialistas.

Saúde e Bem Estar

A resistência de muitos homens em procurar atendimento médico e realizar exames de rotina ainda é uma das principais barreiras no combate ao câncer de próstata. De acordo com o Ministério da Saúde, três em cada dez homens não têm o hábito de ir ao médico, e mais da metade só busca ajuda quando os sintomas já estão em estágio avançado.

Essa resistência tem raízes culturais profundas. O medo do diagnóstico, o machismo e a ideia de que “homem não adoece” ainda afastam muitos da prevenção. “Existe uma crença de que sentir dor ou procurar ajuda é sinal de fraqueza. Isso faz com que doenças que poderiam ser tratadas logo no início acabem evoluindo”, explica o urologista Wagner Kono, especialista em cirurgia robótica.

O câncer de próstata é o segundo tipo mais comum entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são cerca de 70 mil novos casos e 16 mil mortes por ano. O problema é que, na fase inicial, a doença costuma ser silenciosa, sem sintomas aparentes.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que homens a partir dos 50 anos realizem exames preventivos anuais — incluindo o PSA e o toque retal. Aqueles com histórico familiar, obesidade ou ascendência negra devem iniciar o rastreamento aos 45 anos.

Para o médico, é essencial romper com os preconceitos. “Prevenir é um ato de cuidado, não de vergonha. O toque salva vidas”, reforça Kono.

Durante o mês do Novembro Azul, campanhas em todo o país reforçam a importância de falar sobre saúde masculina e de incentivar os homens a cuidarem de si. “Cuidar da saúde é um gesto de amor-próprio e também de amor pela família. O homem que se cuida é o homem que vive mais e melhor”, conclui o especialista.

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