Polêmica em Perus: moradores protestam contra instalação de usina de incineração de lixo em área do antigo aterro.

Brasil

O projeto da Prefeitura de São Paulo para instalar uma Unidade de Recuperação Energética (URE) no antigo Aterro Bandeirantes, no bairro de Perus, reacendeu o debate sobre o destino do lixo da maior cidade do país. A proposta, conduzida pelas concessionárias Loga e Ecourbis, prevê a queima controlada de resíduos para geração de energia elétrica, em substituição parcial ao uso dos aterros sanitários.

A usina seria uma das três unidades previstas pelo plano municipal — as outras devem ser instaladas nas regiões de Santo Amaro e São Mateus — e faz parte de uma estratégia de 20 anos para modernizar o sistema de limpeza urbana, sob supervisão da SP Regula.

No entanto, o anúncio provocou forte reação da comunidade de Perus. Moradores e coletivos locais afirmam que não foram consultados e pedem a suspensão do licenciamento ambiental até que ocorram audiências públicas. O grupo “Incinerador de Lixo em Perus, Não” tem promovido manifestações e defende que o poder público priorize reciclagem, compostagem e incentivo às cooperativas de catadores, em vez da queima de resíduos.

A química Thaís Santos, moradora da região, alerta para os riscos. “Perus já sofreu com o antigo aterro por décadas. Agora enfrentamos novamente o medo da poluição e do impacto à saúde da população”, disse.

O terreno do antigo aterro, desativado em 2007, possui resíduos de biogás e metano, o que, segundo especialistas, poderia causar riscos de explosão caso a estrutura não seja cuidadosamente monitorada. A área de 150 hectares fica próxima à Terra Indígena do Jaraguá e ao Parque Anhanguera, importante refúgio de fauna e flora da capital.

Para a engenheira ambiental Sirlei Bertolini, que integra o Conselho Municipal do Meio Ambiente, as emissões e o tráfego intenso de caminhões podem comprometer a qualidade do ar e o ecossistema local.

Em nota, a Loga defende o projeto e afirma que os Ecoparques — que incluem a URE Bandeirantes — seguem padrões internacionais de sustentabilidade, com tecnologias capazes de controlar as emissões e gerar energia limpa. A concessionária prevê a entrega da usina até 2028.

A Prefeitura de São Paulo argumenta que a cidade produz cerca de 12 mil toneladas de lixo por dia e que menos de 3% é reciclado. A gestão afirma que as UREs não representam risco à saúde e cita exemplos como o da CopenHill, usina em operação em Copenhague, na Dinamarca, localizada a menos de dois quilômetros do parlamento local.

O licenciamento ambiental segue em análise pela Cetesb, que ainda não concedeu autorização para o início das obras.

Enquanto isso, o debate entre avanço tecnológico e preservação ambiental continua a dividir opiniões em Perus e entre especialistas da área.

Imagem aérea do aterro dos Bandeirantes, em São Paulo, considerado um dos maiores da América Latina. Foto: Divulgação/Loga

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