A cidade do Rio de Janeiro viveu um dia de tensão e medo nesta terça-feira (28) após uma grande operação conjunta das polícias Civil e Militar nos complexos do Alemão, Penha e Chapadão, que resultou em mais de 60 mortes, incluindo dois policiais civis. A ação, considerada a mais letal da história do estado, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e teve como alvo facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas.
Em resposta à ofensiva policial, criminosos bloquearam diversas vias importantes da capital fluminense, causando caos na mobilidade urbana. A Linha Amarela, a Grajaú-Jacarepaguá, a Avenida Brasil e trechos da Cidade de Deus foram tomados por barricadas, incêndios e ataques. O Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR-Rio) decretou estágio 2 de atenção, que indica risco de alto impacto na cidade.
De acordo com informações oficiais, o sistema de transporte público foi parcialmente afetado. O BRT operou com intervalos irregulares, enquanto metrô, VLT, SuperVia e Barcas mantiveram o funcionamento normal. A Rio Ônibus informou que mais de 100 linhas precisaram ser desviadas ou suspensas por questões de segurança.
As autoridades orientam a população a evitar deslocamentos desnecessários nas regiões afetadas, especialmente na Zona Norte, onde os confrontos se concentraram. O COR recomenda que os cariocas se mantenham em locais seguros e busquem informações apenas pelos canais oficiais.
O governo estadual afirma que o objetivo da operação foi conter a expansão do Comando Vermelho (CV), que tem travado disputas com facções rivais na região. Além das mortes, 81 suspeitos foram presos e 42 fuzis apreendidos.
A ação reacendeu o debate sobre a política de segurança pública no Rio e a escalada da violência em áreas dominadas pelo tráfico. Entidades de direitos humanos pedem investigação independente sobre o número de mortes e os procedimentos adotados durante a operação.
Foto Alexandre Cassiano