Startup quer levar “luz do Sol” à Terra durante a noite com satélites espelhados.

Ciência

Uma proposta que parece saída de um filme de ficção científica está chamando a atenção da comunidade científica mundial. A startup americana Reflect Orbital afirma estar desenvolvendo um sistema capaz de “trazer a luz do Sol” para a Terra durante a noite, por meio de uma constelação de satélites com espelhos gigantes que refletiriam a luz solar para pontos específicos do planeta.

A companhia pretende iniciar os testes com o Earendil-1, um satélite de 18 metros de diâmetro previsto para ser lançado em 2026. O plano é ampliar a rede para até 4 mil satélites até 2030, com o objetivo de fornecer iluminação artificial para usinas solares e regiões que precisam de energia constante, mesmo após o anoitecer.

Apesar da promessa de inovação, astrônomos e ambientalistas demonstram preocupação. Segundo especialistas, os espelhos poderiam gerar poluição luminosa em escala global, prejudicando observações espaciais e alterando os ecossistemas noturnos. Estudos indicam que o brilho refletido por um único satélite pode ser mais intenso que o da Lua cheia, o que afetaria tanto telescópios quanto o comportamento de animais noturnos.

Outro desafio seria a viabilidade técnica. De acordo com cálculos apresentados por pesquisadores da Universidade Monash e da Universidade de Leiden, seriam necessários milhares de satélites sincronizados para produzir uma iluminação mínima útil. O custo e o risco ambiental tornam o projeto controverso.

Mesmo diante das críticas, a Reflect Orbital afirma que pretende operar de forma controlada, evitando sobrevoar observatórios e informando as rotas de seus equipamentos. A empresa garante que sua intenção é “fornecer luz solar de forma breve, previsível e direcionada”, sem comprometer a observação científica.

O projeto ainda está em fase de testes, mas já desperta debate sobre o equilíbrio entre inovação tecnológica e preservação do céu noturno — um patrimônio natural que pode estar ameaçado por uma ideia aparentemente brilhante.

Foto: Yuichiro Chino via Getty Images

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