O julgamento que apura as circunstâncias da trágica morte de Diego Armando Maradona ganhou contornos ainda mais dramáticos nos tribunais da Argentina. Durante as alegações finais apresentadas nesta quarta-feira, o advogado Pablo Jurado, representante legal das três irmãs do ídolo argentino — Rita, Claudia e Ana Maradona —, disparou duras acusações contra a equipe médica responsável pelos cuidados do ex-jogador e solicitou condenações de até 10 anos de prisão para cinco dos sete profissionais de saúde réus no processo.
Em seu pronunciamento no tribunal, o jurista sustentou categoricamente que o falecimento do camisa 10 não foi um evento inevitável, mas sim o resultado direto da omissão e do descaso de quem deveria protegê-lo. “Diego Maradona morreu pelo que eles não fizeram. Não era a história de uma morte súbita, e sim a crônica de uma morte anunciada, totalmente previsível e evitável”, declarou Jurado diante dos juízes, reforçando a tese de que os acusados assumiram o risco consciente de provocar a morte do astro do futebol mundial.
Ao todo, sete profissionais de saúde respondem na Justiça sob a acusação inicial de homicídio com dolo eventual, figura jurídica aplicada quando se entende que os réus sabiam que suas condutas ou omissões poderiam resultar no óbito do paciente. A acusação mais dura foi direcionada à médica Nancy Forlini, coordenadora da internação domiciliar do atleta, para quem foi pedida a pena de 10 anos de reclusão por gerenciar o atendimento e supervisionar a equipe de enfermagem. Para o neurocirurgião Leopoldo Luque e para a psiquiatra Agustina Cosachov, apontados como as figuras centrais da equipe, foram solicitadas penas de 8 anos e de 8 anos e 2 meses de prisão, respectivamente.
O advogado também pediu a condenação a 3 anos de prisão para o enfermeiro e para o coordenador de enfermagem que acompanhavam o ídolo na rotina diária. Por outro lado, a acusação solicitou a absolvição do psicólogo Carlos Díaz e do clínico geral Pedro Di Spagna por entender que ambos não tiveram papel decisivo no desfecho trágico. Maradona faleceu aos 60 anos, em 25 de novembro de 2020, vítima de uma parada cardiorrespiratória e edema agudo de pulmão enquanto se recuperava de uma cirurgia neurológica em uma residência no município de Tigre, ao norte de Buenos Aires.
Foto: Juan MABROMATA / AFP
Redação – Thiago Salles