ma tentativa de participar de um dos eventos esportivos mais exigentes do mundo sem o devido treinamento técnico e físico quase terminou em tragédia e virou alvo de duras críticas da comunidade internacional. O empresário e influenciador Pablo Marçal, acompanhado de um grupo de aproximadamente 30 seguidores e associados, protagonizou cenas de puro desespero durante a etapa de natação do Ironman 70.3, realizado na cidade de Encarnación, no Paraguai. A situação exigiu a mobilização emergencial de equipes de segurança do evento para retirar diversos participantes da água, incluindo o próprio Marçal e sua esposa.
A dimensão do despreparo ficou evidente logo nos primeiros minutos da prova de águas abertas. Segundo relatórios da organização da competição, diversos integrantes do grupo vinculado ao influenciador demonstravam pânico e visível dificuldade para nadar em condições adversas. Antecipando o risco iminente à vida dos competidores, os organizadores precisaram reforçar às pressas o esquema de segurança ao redor do percurso, alocando mais caiaques e profissionais de resgate. O próprio Pablo Marçal não conseguiu concluir a travessia por meios próprios e precisou ser socorrido e retirado da água com o auxílio direto de um jet ski da organização, o que resultou em sua desclassificação imediata.
Relatos colhidos durante o evento apontam que integrantes do grupo decidiram se inscrever na competição extrema com um histórico de apenas 11 a 20 dias de preparação prévia — um período considerado absurdo por especialistas e atletas do meio, que recomendam meses de treinamento rigoroso para encarar as exigências de um meio Ironman. Dos 386 inscritos na competição, 64 atletas estouraram o limite de tempo estipulado para a natação. Desses desclassificados, pelo menos 18 brasileiros pertenciam diretamente ao grupo liderado por Marçal, escancarando a falta de planejamento para o desafio.
A postura dos participantes gerou forte indignação por parte da direção do Ironman, que classificou o episódio como extremamente incomum, irresponsável e perigoso. Como se não bastasse a falta de preparo, quatro atletas ligados ao grupo teriam descumprido abertamente as normas do evento após serem desclassificados, sendo denunciados formalmente por conduta antidesportiva. Caso as punições sejam confirmadas pelas entidades reguladoras, eles poderão enfrentar um gancho de suspensão que varia de dois a quatro anos de qualquer competição oficial da modalidade.
O episódio no Paraguai acendeu um alerta vermelho e fez resgatar na memória um polêmico caso ocorrido em 2022, quando uma expedição liderada por Pablo Marçal no Pico dos Marins, em São Paulo, exigiu uma grande operação de resgate do Corpo de Bombeiros sob condições meteorológicas extremas. Atualmente, o influenciador responde a processos na Justiça justamente por condutas associadas à exposição de terceiros a riscos graves e desnecessários.
Em nota oficial encaminhada à imprensa, a assessoria de Pablo Marçal procurou se distanciar da responsabilidade sobre os acompanhantes. O comunicado afirma que dezenas de brasileiros estiveram no Paraguai de forma voluntária, sem orientação, liderança ou organização por parte do empresário. A nota ressalta ainda que cada participante treinou individualmente e avaliou suas próprias condições físicas, negando a existência de qualquer desordem, violação das regras do evento ou ligação com episódios polêmicos anteriores em que o empresário esteve envolvido.
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Redação – Thiago Salles