A história de Patrick Hardison voltou a chamar atenção nas redes sociais por causa da transformação impressionante pela qual passou após sobreviver a um incêndio que destruiu grande parte de seu rosto.
O acidente aconteceu em 5 de setembro de 2001, quando Hardison, então bombeiro voluntário em Senatobia, no Mississippi, entrou em uma casa em chamas durante uma operação de resgate. O teto do imóvel desabou e provocou queimaduras graves em seu rosto, cabeça, pescoço e parte superior do corpo.
As lesões destruíram suas pálpebras, orelhas, lábios, nariz e grande parte do couro cabeludo. Sem conseguir piscar adequadamente, Hardison também corria o risco de perder a visão porque suas córneas permaneciam expostas. Antes do transplante definitivo, ele já havia passado por 71 procedimentos cirúrgicos na tentativa de reconstruir as regiões afetadas.
Cirurgia levou quase 26 horas
A grande transformação ocorreu apenas anos depois, em agosto de 2015, no NYU Langone Medical Center, em Nova York.
O procedimento foi liderado pelo cirurgião plástico Eduardo D. Rodriguez e reuniu mais de 100 médicos, enfermeiros, técnicos e profissionais de apoio. A cirurgia começou em 14 de agosto e terminou aproximadamente 26 horas depois.
Na época, a instituição classificou a operação como o mais extenso transplante facial realizado até então.
O procedimento envolveu a substituição do rosto e de todo o couro cabeludo, além das orelhas e canais auditivos, nariz, partes do queixo e das bochechas e, de maneira inédita em um paciente com visão preservada, das pálpebras e músculos responsáveis pelo piscar.
Esse último ponto era especialmente importante porque Hardison corria risco de ficar cego.
Objetivo era voltar a enxergar e dirigir
Mais do que a aparência, o principal objetivo da operação era devolver funções básicas que haviam sido comprometidas desde o incêndio.
Antes do transplante, Hardison não conseguia fechar os olhos normalmente, tinha dificuldades em atividades cotidianas e não podia dirigir com segurança. Após a operação e o processo de reabilitação, passou a recuperar movimentos faciais, mastigação, fala e a capacidade de fechar os olhos.
Um ano depois da cirurgia, a equipe médica informou que ele estava evoluindo bem, sem episódios de rejeição do transplante naquele período. Hardison já havia voltado a dirigir e nadar, atividades que não conseguia realizar desde o acidente.
Caso marcou a história da medicina
O transplante de Hardison se tornou referência mundial em cirurgia reconstrutiva não apenas pelo tamanho da área transplantada, mas pela complexidade técnica envolvida.
Modelagem computadorizada, imagens em três dimensões e guias cirúrgicos personalizados foram utilizados para alinhar os ossos do doador e do receptor com precisão.
O caso também mostrou que transplantes faciais podem ter impacto muito além da estética, devolvendo funções como piscar, mastigar, falar e realizar atividades rotineiras.
É importante corrigir um detalhe que aparece em versões recentes dessa história: o transplante não aconteceu agora. A operação foi realizada em agosto de 2015, quase 14 anos depois do incêndio de 2001. Hardison tinha 41 anos na época da cirurgia.
Anos depois, ele passou a aparecer publicamente com uma aparência completamente reconstruída e relatou ter recuperado parte importante da independência que havia perdido após o acidente.
Foto: NYU Langone/Reprodução –
Redação – Thiago Salles