O desenvolvimento da pesquisa científica espacial no Brasil atinge um marco divisor de águas. Tradicionalmente dependente de telemetria (envio de dados a distância) ou do aluguel de plataformas estrangeiras de alto custo, a comunidade científica nacional testa um modelo de laboratório espacial 100% projetado para retornar à Terra. A cápsula, lançada da histórica base potiguar a altitudes superiores a 100 km — limite considerado o início do espaço —, permanece entre 6 e 8 minutos em ambiente de microgravidade antes de retornar de paraquedas para resgate no oceano.
A condição de gravidade quase nula é um ambiente altamente cobiçado por pesquisadores, pois altera fenômenos químicos e físicos. No espaço, moléculas de medicamentos conseguem se cristalizar de forma perfeitamente homogênea e sem imperfeições causadas pela gravidade terrestre, otimizando fórmulas farmacêuticas. Além disso, a missão embarca experimentos de agricultura espacial coordenados pela Esalq-USP, contendo microrganismos e biodosímetros de radiação para avaliar como fungos e bactérias reagem a condições extremas, servindo de base para futuras missões de longa duração na Lua e em Marte.
Desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e apoiada pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e pela Força Aérea Brasileira (FAB), a plataforma possui diferencial econômico crucial: o equipamento pode ser reutilizado em até quatro missões subsequentes. A conquista da autonomia em voos suborbitais e na recuperação de cargas úteis consolida o país na rota comercial de lançamentos e impulsiona o programa espacial brasileiro com custos reduzidos para universidades e empresas privadas.
Foto: FAB / Divulgação / g1 RN
Redação – Thiago Salles