Os frequentadores da Praia do Leblon foram surpreendidos por um visitante ilustre e gigante no mar da Zona Sul do Rio de Janeiro. Um exemplar de baleia-franca-austral (Eubalaena australis) aproximou-se perigosamente da praia, na altura da Avenida Afrânio de Melo Franco, dando início a uma série de acrobacias, saltos e borrifos que levaram os banhistas ao delírio ao longo de toda a orla.
A cena, registrada em vídeo por dezenas de celulares a partir da areia, mostrou o gigante dos mares projetando grande parte de seu corpo escuro para fora da água antes de retornar com forte impacto sobre a superfície. A aparição inusitada mobilizou cariocas e turistas, que se aglomeraram no calçadão para aplaudir cada movimento do cetáceo. Em grupos e páginas especializadas, o comportamento do animal gerou imediata repercussão, com internautas brincando que a baleia estaria antecipando as celebrações do primeiro dia de shows do festival Rock in Rio.
Segundo pesquisadores de projetos de conservação marinha, como o Amigos da Jubarte e o Projeto Franca Austral (Instituto Australis), o avistamento de uma baleia-franca no litoral do Estado do Rio de Janeiro é considerado um evento relativamente raro. Enquanto as baleias-jubarte utilizam a costa do Sudeste e do Nordeste (como a região do Arquipélago de Abrolhos) para a reprodução, a baleia-franca tem como área prioritária de concentração no Brasil as águas mais frias da Região Sul, em especial o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
Especialistas em ecologia marinha ponderam que a presenҫa do animal na costa carioca não indica necessariamente desorientação. Durante o pico da temporada migratória, entre os meses de agosto e setembro, é comum que indivíduos realizem deslocamentos mais amplos e se aproximem de enseadas e zonas costeiras. As fêmeas da espécie podem atingir mais de 17 metros de comprimento e ultrapassar as 60 toneladas, caracterizando-se pela ausência de nadadeira dorsal e pela presença de calosidades únicas no topo da cabeça.
Apesar do fascínio gerado e da reação entusiasmada do público, ambientalistas e autoridades marítimas reiteram a importância de não utilizar embarcações ou drones para se aproximar dos animais, respeitando os limites estipulados para a preservação e segurança da fauna marinha protegida.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Redação – Thiago Salles