“Prefiro falir”: O dia em que Matt Damon recusou papel em faroeste cult para tentar copiar carreira de ídolo.

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Mesmo consolidado como uma das maiores estrelas do cinema mundial e recém-saído de grandes produções épicas no audiovisual, Matt Damon nem sempre tomou decisões fáceis — ou isentas de controvérsia — na escolha de seus papéis. No início da década de 1990, quando ainda buscava se estabelecer na indústria, o ator tomou a radical decisão de recusar categoricamente um convite para integrar o elenco de Rápida e Mortal (The Quick and the Dead, 1995), faroeste dirigido por Sam Raimi e protagonizado por Sharon Stone.

A recusa não foi silenciosa. Conforme registrado na biografia Matt Damon, escrita por Adam Woog, o jovem artista foi incisivo com seus empresários ao analisar o roteiro do longa-metragem.

“Quero a carreira de Robert Duvall. Não acho que correr atrás de filmes como esse me levará a uma carreira de 40 anos. Prefiro falir a fazer esse filme”, declarou Matt Damon na época sobre a produção.

Rejeição a salário recorde e críticas públicas

Nem mesmo a proposta financeira de US$ 250.000 — valor que superava de longe qualquer cachê recebido pelo ator até aquele momento — foi capaz de dobrar sua convicção. Damon, que já havia trabalhado ao lado de seu ídolo Robert Duvall no faroeste Gerônimo: Uma Lenda Americana (1993), acreditava que aceitar projetos comerciais com tom mais estilizado prejudicaria sua credibilidade dramática a longo prazo.

A postura crítica em relação ao filme de Sam Raimi se manteve por anos. Em entrevista concedida à revista Time dois anos após o lançamento, o ator voltou a ironizar a proposta do longa ao relembrar conversas com seu agente sobre papéis secundários marcantes em clássicos do cinema, reforçando sua busca por projetos prestigiados.

Detalhes da ProduçãoDados do Filme
Título OriginalThe Quick and the Dead (1995)
DireçãoSam Raimi
Elenco PrincipalSharon Stone, Gene Hackman, Russell Crowe e Leonardo DiCaprio
Papel Recusado por DamonFee “The Kid” Herod (assumido por Leonardo DiCaprio)

Reconhecimento da arrogância e o sucesso de DiCaprio

Com a negação de Damon, o papel de “The Kid” acabou nas mãos de Leonardo DiCaprio, então uma estrela em ascensão. A participação no faroeste ao lado de Gene Hackman e Sharon Stone não trouxe qualquer prejuízo à trajetória de DiCaprio, servindo, ao contrário, para fortalecer sua presença em grandes produções de Hollywood antes do estrondoso sucesso de Titanic (1997). O filme também foi fundamental para apresentar o neozelandês Russell Crowe ao público norte-americano.

Anos mais tarde, em entrevista concedida ao jornal The New York Times, o próprio Matt Damon refletiu sobre a postura rígida que adotou na juventude ao analisar o conceito do filme e a direção performática de Raimi, admitindo que sua reação inicial foi exagerada. “Provavelmente fui arrogante demais para o meu próprio bem”, confessou o astro.

Foto: Redação – Thiago Salles

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