O clima esquentou nos bastidores do futebol brasileiro neste sábado (01/08). Um dia após a Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciar o meia Maurício por uma cotovelada no zagueiro Cacá durante a vitória palmeirense por 4 a 0 sobre o Vitória pelo Campeonato Brasileiro, Palmeiras e o clube baiano trocaram manifestações públicas com visões antagônicas sobre a atuação da Justiça Desportiva.
Em nota oficial com tom incisivo, a diretoria da instituição alviverde classificou a denúncia promovida pelo tribunal como “incompreensível”. O clube alegou que a intervenção posterior da Procuradoria desautoriza diretamente a equipe de arbitragem liderada por Alex Gomes Stefano e o sistema de vídeo (VAR), que analisaram a disputa no Barradão e entenderam o lance como passível apenas de cartão amarelo.
“Se toda interpretação técnica da arbitragem for substituída, dias depois, pela convicção particular de um procurador, para que servem o árbitro de campo e o VAR? Chegamos à inevitável pergunta: por que somente Maurício será julgado? Não existe justiça quando infrações iguais recebem tratamentos distintos”, protestou o Palmeiras no comunicado.
Alegação de falta de isonomia e histórico recente
No manifesto, a diretoria do Palmeiras citou episódios envolvendo atletas de outros clubes — como Erick Pulgar, do Flamengo, e Raniele, do Corinthians — que não resultaram em denúncias por parte do tribunal em situações rotuladas como semelhantes. O Verdão também relembrou punições aplicadas recentemente ao técnico Abel Ferreira e às suspensões de Allan e Paulinho para reforçar a tese de que o clube vem sendo prejudicado por uma falta de “equilíbrio e isonomia” nas análises disciplinares.
Por outro lado, o Vitória reagiu com entusiasmo à movimentação do STJD e emitiu uma nota pública parabenizando a entidade pela denúncia formalizada. Para a diretoria rubro-negra, a iniciativa do órgão explicita o erro crasso da arbitragem no campo e no VAR comandado por Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira, que não recomendou a checagem no monitor para o cartão vermelho.
Punições previstas e data do julgamento
A denúncia contra o meia alviverde foi enquadrada no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que versa sobre a prática de jogada violenta. Caso seja condenado, Maurício pode pegar uma pena de suspensão que varia de um a seis jogos no Brasileirão.
| Denunciado | Cargo / Função | Clube | Pauta do Julgamento |
| Maurício | Meio-campista | Palmeiras | Jogada violenta (Art. 254 do CBJD) |
| Cacá | Zagueiro | Vitória | Desdobramentos da partida no Barradão |
| Luan Cândido | Lateral-esquerdo | Vitória | Incidentes disciplinares no jogo |
| Fábio Mota | Presidente | Vitória | Declarações/ocorrências na partida |
A Sessão de Julgamento da comissão disciplinar está oficialmente agendada para a próxima terça-feira (04/08). O Vitória adiantou que enviará representantes jurídicos à sede do tribunal para acompanhar o caso de Maurício e buscar a absolvição de seus atletas e dirigentes.
Foto: Cesar Greco / Palmeiras / Redação – Thiago Salles