Após enfrentar uma das maiores tragédias climáticas da história do Rio Grande do Sul, o município de Muçum decidiu mudar definitivamente sua relação com o Rio Taquari. A prefeitura proibiu novas construções na região mais afetada pelas enchentes, numa medida considerada inédita e que poderá servir de modelo para outras cidades brasileiras.
Entre setembro de 2023 e maio de 2024, o município foi atingido por três grandes enchentes em apenas oito meses. A última delas inundou cerca de 80% da área urbana, destruiu centenas de imóveis, comprometeu a infraestrutura da cidade e deixou famílias inteiras sem moradia.
Com base em estudos técnicos, a administração municipal determinou que a área mais vulnerável será transformada em um parque ecológico com aproximadamente 200 mil metros quadrados. O espaço contará com áreas verdes e solo permeável, permitindo que futuras cheias provoquem menos danos à população.
As famílias removidas estão sendo reassentadas em bairros mais altos e distantes do leito do rio. Empresas instaladas na região também receberam incentivos para transferir suas atividades para locais considerados seguros.
Especialistas em mudanças climáticas avaliam que a decisão representa uma nova forma de enfrentar eventos extremos, priorizando a prevenção em vez da reconstrução constante de áreas condenadas pelas enchentes.
Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) mostram que, nos últimos anos, o Brasil investiu muito mais recursos na recuperação de cidades atingidas por desastres do que em ações preventivas. Para pesquisadores, a adaptação urbana será cada vez mais necessária diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos.
Enquanto Muçum inicia essa transformação, outros municípios do Vale do Taquari estudam adotar legislação semelhante para impedir novas ocupações em áreas de risco.
Foto: Reprodução/Jornal Nacional
Redação – Ana Flavia