Farra do sertanejo? PF liga Valdemar Costa Neto a emendas secretas que bancaram shows de até R$ 280 mil no interior e Dino bloqueia fortuna.

Música

Os bastidores de Brasília e do mundo da música sertaneja foram sacudidos por uma investigação explosiva da Polícia Federal. Emendas parlamentares atribuídas diretamente a Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), foram utilizadas para financiar shows de artistas renomados em festas municipais e eventos agropecuários em quatro cidades do interior de São Paulo e do Paraná. Os repasses federais foram identificados pela coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles, por meio da plataforma Transferegov, e expõem o uso de recursos públicos para pagar cachês de até R$ 280 mil.

O levantamento detalha como o dinheiro do Orçamento da União foi pulverizado em pequenos municípios. A cidade de Iepê (SP), de apenas 7,6 mil habitantes, destinou a verba para contratar a banda Traia Véia e a dupla Thaeme & Thiago para a 4ª Agrofest, em novembro de 2025, ao custo de R$ 250 mil cada apresentação. Já em Guaimbê (SP), Thaeme & Thiago receberam R$ 280 mil dos cofres federais para a Festa do Peão de Boiadeiro. A mesma dupla foi bancada com verbas da União no aniversário de Cafelândia (PR). Outro município beneficiado foi Macedônia (SP), com menos de 4 mil moradores, que utilizou os recursos para pagar o show de Mariana Fagundes em outubro do ano passado.

A gravidade do caso levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar o bloqueio imediato de R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, além de suspender a execução de todas as despesas listadas no inquérito — o que deve provocar o cancelamento de novos shows pelo país. A Polícia Federal sustenta que o esquema contava com a atuação de três servidores da Câmara dos Deputados para inserir as indicações de Valdemar em emendas regulares, tratando dinheiro público como cota privada de uma pessoa sem mandato eletivo. A conduta é investigada sob a tipificação de “peculato-desvio”. Cruzamentos de dados da PF apontam que o presidente do PL já teria movimentado mais de R$ 100 milhões em emendas apenas para a área da Saúde.

Em nota oficial, a defesa de Valdemar Costa Neto manifestou surpresa e rebateu duramente os fundamentos da decisão do STF, classificando-a como fruto de “premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”. Os advogados negaram categoricamente a prática de qualquer crime e argumentaram que é legítimo e natural que um líder partidário dialogue com sua bancada e articule interesses regionais. A defesa também lamentou o vazamento prematuro da investigação em um período de “sensibilidade institucional e eleitoral”, enquanto o espaço no portal segue aberto para novas manifestações dos citados.

Foto: Pipoca Moderna / Redação – Thiago Salles

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