A destruição provocada pelos terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho ganhou uma nova dimensão com a divulgação de mapas baseados em imagens de satélite. O levantamento preliminar indica que La Guaira, estado costeiro localizado a cerca de 30 quilômetros de Caracas, concentra alguns dos focos mais graves de danos estruturais.
A análise, feita com dados de radar do satélite Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia, estima que aproximadamente 58.870 edifícios tenham sido danificados ou destruídos na área afetada. A própria avaliação, no entanto, é tratada como preliminar: ela aponta locais com alta probabilidade de danos, mas não substitui a verificação presencial de cada imóvel.
Especialistas alertam que o mapa não significa que toda La Guaira tenha sido arrasada. A devastação aparece concentrada em pontos específicos, especialmente em áreas da faixa litorânea, onde o solo pode ter ampliado os efeitos dos tremores. Regiões como Catia La Mar, Caraballeda e Tanaguarena aparecem entre as mais atingidas, segundo avaliações divulgadas após a tragédia.
O fenômeno da liquefação também ajuda a explicar parte do estrago. Nesse processo, solos arenosos e encharcados perdem resistência durante um terremoto e passam a se comportar de forma instável, aumentando o risco de colapso de construções. Por isso, técnicos defendem que os mapas sejam usados para orientar inspeções, priorizar vistorias e direcionar equipes de resgate e reconstrução.
A tragédia já deixou pelo menos 2.295 mortos e 11.267 feridos, segundo balanço divulgado por autoridades venezuelanas. Além disso, milhares de famílias seguem desabrigadas, enquanto equipes nacionais e internacionais continuam atuando em áreas tomadas por escombros, acampamentos improvisados e estruturas condenadas.
A diferença entre os números oficiais de prédios danificados e as estimativas por satélite reforça a dificuldade de medir a real dimensão da catástrofe. Enquanto o governo informou centenas de edifícios afetados, a leitura remota aponta dezenas de milhares de construções com sinais compatíveis com dano ou destruição. O cenário coloca La Guaira no centro da crise humanitária e transforma a reconstrução da região em um dos maiores desafios recentes da Venezuela.
Foto: Reprodução/BBC – Redação – Thiago Salles