Uma tecnologia criada para ajudar pessoas a localizar objetos perdidos vem sendo utilizada de forma criminosa para perseguir mulheres. Dados da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Paulo apontam um aumento de mais de 15% nos casos de perseguição envolvendo rastreadores inteligentes durante o primeiro trimestre de 2026.
Segundo os registros policiais, foram contabilizados 104 boletins de ocorrência relacionados ao uso desses dispositivos até o mês de março, contra 90 casos registrados no mesmo período do ano passado. O crescimento preocupa autoridades, já que esses equipamentos possuem tamanho reduzido e podem ser escondidos facilmente em bolsas, mochilas, roupas, veículos e outros objetos pessoais.
Um dos casos que chamou a atenção das autoridades envolve uma pedagoga de 46 anos, moradora da capital paulista. Ela recebeu uma notificação em seu celular informando que um rastreador desconhecido estava acompanhando sua localização havia várias horas. Após uma busca minuciosa, a mulher encontrou uma AirTag, da Apple, escondida dentro do tênis do filho de apenas seis anos.
A vítima relatou ainda que, anteriormente, já havia localizado um gravador escondido em um brinquedo de pelúcia. Apesar do registro da ocorrência e do pedido de medida protetiva, o caso acabou sendo arquivado posteriormente.
De acordo com a delegada Cristine Nascimento Guedes Costa, titular da 1ª DDM, os rastreadores passaram a ser utilizados com frequência por perseguidores. Em alguns casos, os dispositivos são escondidos em mochilas de crianças para acompanhar a rotina das mães ou até mesmo fixados em partes pouco visíveis de automóveis, como o escapamento.
As chamadas smart tags foram desenvolvidas para localizar objetos como malas, chaves, carteiras, bicicletas e equipamentos eletrônicos. No entanto, com a popularização desses aparelhos, aumentaram também os relatos de utilização criminosa para monitorar pessoas sem autorização.
Especialistas alertam que, além da Apple, diversas fabricantes oferecem dispositivos semelhantes, incluindo Samsung, Motorola e outras marcas disponíveis no mercado. Embora as empresas tenham implementado mecanismos para alertar usuários sobre rastreadores desconhecidos próximos, criminosos continuam encontrando formas de utilizar esses equipamentos de maneira ilegal.
Autoridades recomendam que usuários mantenham os alertas de segurança ativados em seus smartphones, verifiquem notificações sobre dispositivos desconhecidos e procurem imediatamente a polícia caso suspeitem de qualquer tipo de monitoramento não autorizado.
O crescimento desses casos reforça a necessidade de maior conscientização sobre o uso responsável da tecnologia e de medidas mais rigorosas para combater crimes de perseguição praticados com auxílio de dispositivos eletrônicos.
Foto: Acervo pessoal / Reprodução
Redação – Ana Flavia