As mais recentes projeções climáticas divulgadas pelo Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI) reforçam a expectativa de que o fenômeno El Niño 2026/2027 alcance níveis de intensidade considerados excepcionais. Os modelos apontam que o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial poderá ultrapassar 2,5°C nos próximos meses.
Segundo a atualização divulgada nesta semana, as anomalias de temperatura na região conhecida como Niño 3.4 devem atingir seu pico entre o final do inverno e o início da primavera no Hemisfério Sul. Esse nível de aquecimento é característico dos chamados “super El Niños”, eventos climáticos raros que costumam provocar impactos significativos em diferentes regiões do planeta.
Caso as previsões se confirmem, o episódio poderá figurar entre os mais intensos já observados, ao lado dos históricos eventos registrados em 1982-83, 1991-92, 1997-98 e 2015-16.
Os modelos climáticos indicam uma extensa área do Pacífico com temperaturas acima da média, cenário que fortalece a tendência de consolidação do fenômeno nos próximos meses. O aquecimento anormal das águas altera os padrões atmosféricos globais e influencia diretamente os regimes de chuva e temperatura em diversas partes do mundo.
No Brasil, episódios de El Niño costumam estar associados ao aumento das chuvas na Região Sul, enquanto áreas do Norte e Nordeste frequentemente registram períodos mais secos e temperaturas acima da média. No entanto, os efeitos variam conforme a intensidade do fenômeno e a interação com outros sistemas climáticos.
Especialistas destacam que, embora os modelos apresentem elevado grau de confiança para os próximos meses, o acompanhamento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas permanece fundamental para avaliar a evolução do evento e seus possíveis impactos sobre agricultura, recursos hídricos e geração de energia.
O cenário reforça a atenção dos órgãos meteorológicos internacionais para um dos fenômenos climáticos mais influentes do planeta, que poderá marcar o ciclo climático de 2026 e 2027.
Foto: ECMWF
Redação: Ana Flávia