O consumo de bebidas alcoólicas nos bastidores da música voltou ao centro das atenções após uma série de relatos de artistas que admitiram ter enfrentado dificuldades profissionais em decorrência dos excessos. O tema ganhou força depois que o cantor Nattan reconheceu publicamente que o consumo de álcool antes de uma apresentação comprometeu seu desempenho durante um show realizado no Ceará.
O episódio reacendeu uma discussão antiga no universo musical: até que ponto a bebida pode afetar a qualidade das apresentações e a saúde dos artistas. Nos últimos meses, diversos nomes conhecidos da música brasileira também compartilharam experiências relacionadas ao tema.
Murilo Huff revelou que reduziu drasticamente o consumo de álcool durante os shows após uma conversa com Luan Santana. João Gomes afirmou ter mudado hábitos após ser diagnosticado com problemas de saúde relacionados ao fígado. Já Zé Neto relatou ter enfrentado um período difícil envolvendo álcool, medicamentos e questões ligadas à saúde mental.
Especialistas explicam que o álcool pode causar uma série de impactos negativos para quem utiliza a voz como instrumento de trabalho. Entre os principais problemas estão a desidratação das cordas vocais, dificuldades respiratórias, perda de coordenação motora, falhas de memória e redução do controle vocal durante as apresentações.
Além das consequências imediatas, o consumo frequente também pode provocar danos acumulativos ao longo dos anos. Em alguns casos, o esforço excessivo sobre a voz pode resultar em lesões que exigem acompanhamento especializado e até procedimentos médicos.
Profissionais da área de saúde destacam ainda que o álcool pode gerar uma falsa sensação de segurança e relaxamento. Embora muitos artistas relatem sentir-se mais soltos no palco após consumir bebidas, o efeito pode mascarar sinais de desgaste físico e vocal, aumentando os riscos durante a apresentação.
Nos bastidores do setor musical, produtores e equipes técnicas acompanham com atenção situações que possam comprometer a qualidade dos shows. Em alguns casos, medidas internas já foram adotadas para restringir o acesso de artistas a bebidas alcoólicas antes das apresentações.
Especialistas apontam que existe uma mudança gradual entre os artistas mais jovens, que vêm demonstrando maior preocupação com a saúde física, vocal e mental. A busca por longevidade profissional e melhor desempenho tem levado muitos cantores a rever hábitos que antes eram considerados comuns dentro do ambiente artístico.
O debate também amplia a discussão sobre saúde mental, qualidade de vida e a pressão enfrentada por profissionais que mantêm agendas intensas de apresentações ao longo do ano. Para especialistas, reconhecer os riscos e buscar ajuda quando necessário é fundamental para preservar não apenas a carreira, mas também o bem-estar dos artistas.
Foto: Reprodução / TV Globo
Redação – Thiago Salles