Uma denúncia gravíssima promete abalar as estruturas da segurança pública no Rio de Janeiro. As câmeras corporais dos policiais militares — que deveriam registrar tudo o que acontece nas operações — foram deixadas de propósito dentro de um saco plástico na prateleira do batalhão de Irajá. O flagrante aconteceu justamente no dia em que o jovem Daniel da Costa Ferraz, de apenas 19 anos, foi baleado e morto durante uma ação no Complexo do Chapadão. A família do rapaz chora desesperada e garante que ele era inocente, dava aulas de capoeira e estava apenas indo para a escola.
De acordo com o relatório da Defensoria Pública, os PMs Felipe Cunha e Jeremias Santana guardaram as câmeras no batalhão às 5h30 da manhã e saíram para a comunidade com as fardas “limpas”. O jovem Daniel e um adolescente de 17 anos foram baleados por volta das 8h30. Os policiais só voltaram a ligar os aparelhos às 9h37, muito depois de as vítimas terem sido levadas ao hospital, onde acabaram falecendo.
O que os policiais não esperavam é que, ao recolocarem as câmeras a caminho da delegacia, o áudio dos aparelhos gravou uma conversa chocante. Os dois aparecem combinando detalhes para incriminar o jovem morto como traficante e mentindo sobre quem atirou para evitar que os peritos apreendessem os dois fuzis da equipe. “Não pode falar que nós dois atiramos nos caras, se não vai apreender dois fuzis”, diz um dos PMs na gravação. Na delegacia, eles registraram o caso dizendo que foram atacados a tiros e que acharam um revólver, uma granada e drogas com os rapazes — uma versão que agora cai por terra com o vazamento dos áudios.
Foto: Divulgação/Redes Sociais
Redação: Thiago Salles