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O psiquiatra detalha quando a EMT deve ser indicada, fala sobre acolhimento e prevenção e reforça que pedir ajuda nunca deve ser interpretado como fraqueza

Nascido em Ourinhos, no interior paulista, Yan Sen mudou-se para São Paulo aos 14 anos para estudar no Colégio Bandeirantes. A decisão de seguir a carreira médica veio cedo, e a cirurgia foi, durante muito tempo, sua primeira escolha. O jovem estudante dedicou a graduação a pesquisas e estágios nessa área, fascinado pela precisão dos procedimentos. No entanto, a convivência com a rotina pesada da especialidade – longas jornadas, plantões de madrugada e pouco espaço para vida pessoal – despertou dúvidas.

Foi durante a experiência em uma Unidade Básica de Saúde, em Diadema, que um novo olhar se consolidou. “Eu deixo de perguntar só se a pessoa está viva e passo a me importar com como ela vive”, diz. A percepção de que o sofrimento mental tinha impacto tão grande quanto a urgência cirúrgica abriu espaço para a escolha pela psiquiatria. Entre 2017 e 2018, já no fim da formação, Sen decidiu seguir esse caminho. “Eu já dizia que queria trabalhar com intervenção”, recorda.

Ao concluir a residência, percebeu uma lacuna pessoal: sentia falta do componente prático da cirurgia, da dimensão técnica dos procedimentos. “Eu gosto muito de procedimento, algo que a cirurgia me trazia. Quando me formei, senti falta disso. O estímulo magnético veio a calhar entre esses dois mundos, mistura o que eu gosto com a intervenção da psiquiatria”, afirma. A partir dessa convergência, surge a ideia da própria clínica, espaço físico necessário para abrigar os equipamentos de neuromodulação. Hoje, na Mood.On, Sen atende em parceria com outros profissionais e projeta expandir a equipe para incorporar psicólogos e médicos voltados a protocolos específicos, como o uso controlado de cetamina.

Espaço multidisciplinar

Em 2025, o psiquiatra inaugurou a nova sede da Mood.On, clínica em São Paulo que simboliza um marco em sua carreira. Reformada recentemente, o espaço foi pensado para unir tecnologia, acolhimento e projetos futuros de equipe multidisciplinar. “É a primeira semana que uso de fato o consultório após a reforma. Quero que seja um lugar de encontro, onde psiquiatras, psicólogos e outros profissionais possam discutir casos e oferecer cuidado completo”, explica.

A estrutura, além de abrigar os equipamentos de estimulação magnética, abre caminho para a incorporação de novas práticas, como o uso controlado de cetamina e parcerias com outras áreas da saúde.

Estimulação Magnética Transcraniana

O psiquiatra explica que a chamada psiquiatria intervencionista não é uma subespecialidade formal, mas um conjunto de práticas que se somam ao tratamento convencional. “A cultura é trocar remédio, otimizar dose e insistir. Quando eu indico cedo uma intervenção adequada, com diagnóstico bem fechado, eu preservo tempo e função”, resume.

Ele lembra que o estudo STAR*D já mostrava a queda nas chances de resposta quando se multiplica o número de tentativas de antidepressivos: depois do segundo medicamento sem efeito, as probabilidades de melhora caem drasticamente.

Nesse cenário, a estimulação magnética transcraniana (EMT) aparece como uma das alternativas mais promissoras. O método posiciona uma bobina eletromagnética sobre áreas específicas do córtex, modulando circuitos ligados ao humor, à ansiedade e à dor. “A corrente não passa para a pele; o campo magnético despolariza neurônios e engaja redes profundas”, descreve.

O tratamento é dividido em duas fases: indução, com sessões diárias de 10 a 30 minutos, e manutenção, mais espaçada. Segundo ele, a resposta é mais rápida e não depende do metabolismo ou da genética do paciente, o que evita efeitos colaterais comuns a algumas medicações.

As principais indicações incluem depressão refratária, transtorno obsessivo-compulsivo, ansiedade em casos selecionados, dor crônica e reabilitação motora pós-AVC.

Outras possibilidades em estudo envolvem dependência química, sintomas da esclerose múltipla, da fibromialgia e do Parkinson. Sen ressalta, porém, a necessidade de critérios claros. “Recebo muito falso refratário, gente que não tentou o que deveria. Às vezes, um ajuste simples salva tempo e dinheiro”, comenta.

A novidade desperta também receios. Muitos confundem EMT com eletroconvulsoterapia. “Não é ECT. São técnicas diferentes”, esclarece. Outros a relacionam a práticas ultrapassadas, como a lobotomia. “Pelo contrário, ela melhora cognição. Tanto que já há pesquisas sobre performance cerebral em clubes de futebol e entre atletas de alto rendimento”, acrescenta.

Sen lembra que o uso de neuromodulação para brain enhancement ainda é experimental e precisa de mais evidências antes de ser incorporado à prática clínica.

Patologias, prevenção e acolhimento

No consultório, a depressão é o diagnóstico mais frequente, muitas vezes, em estágios avançados. A ansiedade também aparece como queixa central, seguida por casos de TDAH, frequentemente influenciados pelo excesso de autodiagnósticos nas redes. “Reconhecer-se em um post não substitui avaliação. Falta de responsabilidade não é diagnóstico”, afirma.

Entre adolescentes, Sen observa o impacto direto da tecnologia. “Tentar ler por cinco minutos vira tarefa quando o cérebro aprende a esperar trocas de cena a cada dois segundos”, explica. Para ele, hábitos como atividade física, higiene do sono, redução do tempo de tela e alfabetização emocional em casa e na escola podem prevenir agravos. “Eu respeito a velocidade do corpo. Acelerar onde não dá é tirar saúde de um lugar para colocar em outro”, complementa.

A entrevista psiquiátrica, segundo o médico, é também uma forma de acolhimento. “Muita gente só precisa ser ouvida para eu reunir sinais clínicos relevantes”, relata. A anamnese começa com perguntas de identificação e abre espaço para o discurso livre. A partir daí, detalhes aparentemente pequenos, como o relato de não enviar mensagens a amigos há meses, podem indicar sinais de um quadro depressivo. “Cada pessoa vai apresentar sintomas de um jeito. Eu preciso entender o que significa para ela”, explica.

Para Sen, o acolhimento é parte inseparável do tratamento. Ele observa que muitos pacientes chegam debilitados, em dor ou já sem esperança, e por isso o consultório deve ser também um espaço de segurança. “Ninguém vai ao psiquiatra porque está bem. Cabe a nós equilibrar proximidade e distância: se fico perto demais, afundo junto; se fico distante, passo desinteresse. O paciente precisa sentir que está seguro, mesmo no caos”, reflete.

Esse cuidado humanizado não exclui o rigor técnico. “Diagnóstico certo vem antes de qualquer máquina”, reforça. O uso da EMT, da medicação ou de outras estratégias depende sempre da avaliação clínica e do contexto individual. Para Sen, a função do psiquiatra é orientar o caminho possível, sem prometer soluções imediatas.

Bastidores

Além da clínica em São Paulo, o médico mantém projetos que reforçam seu compromisso com a saúde pública. Há seis anos, Sen acompanha o público em situação de vulnerabilidade associado ao uso de drogas. Na região da Cracolândia atua há quatro anos, avaliando se pacientes que procuram ajuda devem ser encaminhados a acolhimento social ou hospitalar. “É um problema biopsicossocial. Saúde sozinha não dá conta”, afirma.

No interior, acompanha casos pelo SUS em Timburi, cidade de 2.500 habitantes, e recentemente propôs a criação de um centro de convivência para idosos. “O isolamento do idoso é muito ruim, tanto para ele quanto para a família. O espaço ajuda a preservar vínculos e aliviar quem cuida”, explica.

Outra frente é a parceria com a rede Coop, no ABC paulista. Desde 2022, ele atende funcionários em um programa de gestão emocional. “Eu estabilizo, acompanho por alguns meses e encaminho para a rede pública ou convênio. Agilidade evita piora”, detalha. O projeto já alcançou centenas de colaboradores e ilustra como empresas podem ter papel ativo na saúde mental de seus trabalhadores.

A linguagem acessível que adota nas redes sociais é um recurso estratégico para desmistificar a psiquiatria. “Eu nunca quis ser blogueiro; eu quero ser encontrado por quem precisa”, comenta. Postagens que misturam informação técnica com quadrinhos, poemas e reflexões pessoais ajudam a aproximar leitores. “A pessoa lê e se reconhece. Isso abre a porta para o primeiro passo”, afirma.

Fora do consultório, Sen encontra equilíbrio na música. Toca repique de mão e cuíca em uma roda de pagode formada, em sua maioria, por ex-alunos da Faculdade de Medicina do ABC. O grupo, que começou em festas de graduação, segue se reunindo em encontros e eventos.

Entre consultas, protocolos e acordes, o médico reforça um lembrete que atravessa sua trajetória profissional e pessoal: “Pedir ajuda não é fraqueza. A psiquiatria não é sobre remédios apenas, é sobre cuidado. Mesmo que eu não prescreva nada, vou orientar o caminho. O importante é não esperar esgotar a reserva para procurar apoio, porque a mente é usada para tudo: trabalhar, amar, se divertir. Cuidar dela é cuidar da vida inteira”.

CRM: 190.782 | RQE: 102.964

Instagram: @dr.yanpsiquiatra  |  @clinicamoodon
Site: https://moodon.com.br

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