Judiciário brasileiro – Brasil News https://brasilnews.tv Portal de informações comprometido com a verdade, a clareza e a responsabilidade jornalística. Aqui, você encontra notícias aprofundadas, análises confiáveis e um jornalismo independente, feito para quem busca entender os fatos além das manchetes. Tue, 16 Dec 2025 13:00:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://brasilnews.tv/wp-content/uploads/2025/05/cropped-Brasil-News-Logo-1080-x-1080-px-32x32.png Judiciário brasileiro – Brasil News https://brasilnews.tv 32 32 Cândido Carneiro alerta para os riscos da inteligência artificial na advocacia. https://brasilnews.tv/candido-carneiro-alerta-para-os-riscos-da-inteligencia-artificial-na-advocacia/ https://brasilnews.tv/candido-carneiro-alerta-para-os-riscos-da-inteligencia-artificial-na-advocacia/#respond Tue, 16 Dec 2025 12:10:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=5065 Reconhecido no contencioso cível e em rankings nacionais, o advogado defende uso responsável da tecnologia, mas critica a padronização de petições e o risco de “textos sem alma” produzidos por inteligência artificial no meio jurídico.

Desde que a inteligência artificial passou a fazer parte do cotidiano de escritórios e tribunais, o debate deixou de estar restrito à tecnologia e passou a tocar a essência da prática jurídica. À frente de um escritório especializado em resolução de disputas e contencioso cível estratégico, com atuação destacada em setores como transporte e logística, Cândido Carneiro observa esse avanço com prudência. Ele faz questão de separar o que chama de “tecnologia a favor da advocacia” do uso da IA para redigir petições e peças processuais.

Formado pela Universidade Cândido Mendes e com pós-graduações em instituições como FGV, PUC-Rio e UERJ, ele construiu uma trajetória marcada pelo estudo do processo civil e pela atuação em temas institucionais. Já integrou a Comissão de Arbitragem da OAB/RJ e a Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro e, ao longo dos anos, foi citado em rankings da Análise Editorial, além de publicar artigos em plataformas jurídicas de referência.

“Eu não sou crítico ao uso da tecnologia. Eu acho que a tecnologia ajuda os escritórios, principalmente em controle de prazos, gestão de carteiras, buscas de jurisprudência. Mas, quando se fala em inteligência artificial escrevendo petição, aí eu tenho profundas críticas e receio, para falar a verdade”, afirma.

Tecnologia como aliada, mas com limites claros

Na rotina do escritório, Cândido Carneiro reconhece que a digitalização transformou a advocacia. Softwares de gestão processual, sistemas de busca em tribunais, cruzamento de dados e até o uso de múltiplos monitores fazem parte da organização interna.

“A tecnologia é muito válida para controle de agenda, localização de endereços de réus, sobretudo daqueles que somem dos próprios endereços que indicam nos contratos. Também ajuda nas buscas unificadas de jurisprudência. Hoje é impensável gerir uma carteira razoável de processos sem um bom software de controle de prazos”, observa.

O ponto de ruptura, para ele, ocorre quando a máquina começa a ocupar o espaço criativo, interpretativo e estratégico do advogado.

“A máquina não pode substituir o profissional. E o profissional não pode usar a máquina para produzir o trabalho que ele entrega ao cliente e ao Judiciário, porque não vai dar certo”, resume.

Quando a inteligência artificial tira a “alma” do texto jurídico

O núcleo da crítica de Cândido está no risco de esvaziamento da essência da advocacia quando a IA assume a redação das peças.

“Eu acho que a inteligência artificial tira a essência do advogado. Você cria um padrão comum. A IA roda em cima de conceitos, não entra a fundo no processo. E processo se ganha cada vez mais nos fatos, na produção de provas, em cada vírgula que está ali”, explica.

Segundo ele, já existem sinais claros dessa padronização.

“Já vi peças muito conceituais, genéricas, que claramente não iamno detalhe do processo. Além disso, escuto com frequência relatos de IA citando jurisprudências ou fontes que simplesmente não existem. Isso é gravíssimo”, alerta.

O resultado, afirma, tende a ser um texto formalmente correto, porém frágil em substância.

“Você começa a discutir conceito e não sai do lugar. Fica uma discussão genérica, que não vai ao ponto. São textos sem brilho, sem nenhum diferencial, aquilo que eu chamo de texto sem alma”, define.

Jovens advogados e o risco da padronização em massa

Uma preocupação recorrente de Cândido Carneiro é o impacto da IA sobre profissionais em início de carreira. Com milhares de novos advogados ingressando no mercado semestralmente, ele teme que a ferramenta seja usada como atalho, e não como apoio.

“Sempre existiram modelos de petição, minutas, doutrina. Isso fazia parte da formação: você tinha uma espinha dorsal e, a partir dali, construía a sua tese, desenvolvia os argumentos e adaptava aos fatos do caso. A inteligência artificial, quando gera uma petição inteira a partir de algumas palavras, tira esse exercício fundamental”, avalia.

Para ele, o efeito tende a ser uma homogeneização preocupante.

“Eu tenho muito receio de ver, a cada semestre, uma enxurrada de novos advogados no mercado utilizando a IA e isso formar um padrão muito ruim. Você imagina um time de futebol feito por robôs, todos programados da mesma forma. Vão jogar igual, e você não vai ter a genialidade de um Garrincha, com aquela perna torta e dribles improváveis. Na advocacia é parecido: você perde o brilho, perde a grande sacada”, compara.

O controle é possível ou o caminho é a conscientização?

Sobre regular o uso da IA na prática jurídica, Cândido Carneiro é cético.

“É muito difícil regular. Quem faria essa regulamentação e como? São milhões de advogados no país, milhares de petições protocoladas diariamente, muitos profissionais atuando de casa. Não há um mecanismo realista para fiscalizar quem está usando IA para redigir peça”, pondera.

Ele lembra que, em situações excepcionais, o Judiciário já identificou irregularidades.

“O que se vê, pontualmente, são reprimendas quando o juiz percebe que a fonte citada não existe. Você insere um número de processo, um relator, um tribunal, e, na checagem, nada daquilo corresponde à realidade. São combinações de algoritmos que acabam gerando inverdades”, explica.

Para ele, mais do que fiscalização, a advocacia depende de responsabilidade individual.

“Escritórios estruturados, com coordenadores e líderes de equipe, acabam naturalmente fiscalizando o que é entregue. Mas, no fim das contas, é uma questão de conscientização. O advogado tem obrigação de conferir o que escreve, a fonte que cita, a prova que menciona. A IA não pode ser desculpa para a perda desse cuidado”, afirma.

Texto jurídico como ofício artesanal em um Judiciário sobrecarregado

Com experiência direta em audiências, sustentações orais e contencioso de volume, Cândido Carneiro reforça que a qualidade da redação jurídica se torna ainda mais decisiva quando o Judiciário está sobrecarregado.

“Com um Judiciário extremamente sobrecarregado, você precisa de uma redação que prenda a atenção de quem lê. Não é só despejar conceitos. É identificar com clareza o tema em debate, organizar os fatos e conduzir o raciocínio de forma pragmática”, defende.

Nesse contexto, delegar a parte intelectual da peça à IA é, para ele, incompatível com a boa técnica.

“Eu não sou especialista em inteligência artificial, sou advogado de contencioso. Cada processo tem sua história, sua prova específica, seu ponto fundamental. A máquina não enxerga isso como o advogado enxerga. Se o profissional abdica desse olhar e apenas aceita o que a IA entrega, ele perde a essência da própria atividade. A tecnologia pode organizar prazos, facilitar buscas e apoiar a rotina, mas não pode substituir a análise humana dos fatos e do direito, porque é justamente aí que reside a alma do trabalho jurídico.”

Instagram: @candidocarneiro.adv

Site: https://candidocarneiro.com.br

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Nova política dos EUA pode impedir entrada de autoridades estrangeiras que censuram cidadãos americanos https://brasilnews.tv/restricoes-visto-eua-liberdade-expressao/ Wed, 28 May 2025 20:07:01 +0000 http://demo.mysterythemes.com/news-portal/?p=136 Uma nova diretriz do governo Trump promete tensionar ainda mais as relações diplomáticas com países cujas autoridades são acusadas de interferir na liberdade de expressão de cidadãos ou empresas norte-americanas. Nesta quarta-feira (28), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, divulgou uma nova política de restrição de vistos com foco em autoridades estrangeiras responsáveis por atos de censura contra interesses americanos — mesmo quando essas ações ocorrem fora do território dos Estados Unidos.

Embora a comunicação oficial não cite nomes, a publicação da nota também em português pela embaixada americana no Brasil foi interpretada por analistas como um recado direto ao país, especialmente após episódios envolvendo decisões judiciais de ministros como Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sobre o controle de conteúdos em redes sociais.

Rubio afirmou que os Estados Unidos não vão tolerar tentativas de governos estrangeiros de coagir plataformas digitais a adotar medidas de moderação que, na visão americana, extrapolam os limites legais e ferem direitos fundamentais garantidos pela Constituição dos EUA. A medida também se aplica a familiares dos agentes públicos considerados envolvidos nesses atos.

“Autoridades que impõem sanções ou ameaçam prender cidadãos americanos por opiniões expressas em solo americano não devem ter o privilégio de visitar os Estados Unidos”, declarou o secretário.

A base legal para a nova política está na seção 212(a)(3)(C) da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA, que permite barrar o ingresso de estrangeiros que representem risco à política externa americana. O texto menciona ainda que membros da família dessas autoridades também poderão ser afetados pelas restrições.

A decisão foi recebida com apoio por parlamentares aliados de Trump e coincide com o esforço de figuras políticas brasileiras no exterior, como o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que vem denunciando supostos abusos de autoridade no Brasil relacionados à liberdade de expressão.

Essa não é a primeira vez que o Brasil entra no radar internacional por conta de decisões judiciais envolvendo redes sociais. Recentemente, a plataforma Rumble entrou com uma ação na Justiça dos EUA contra Moraes, alegando violação de direitos constitucionais.

Com a nova política, o governo americano sinaliza que pretende endurecer sua postura diante de medidas de outros países que, na sua visão, ultrapassem limites aceitáveis de intervenção sobre o livre discurso de cidadãos americanos.

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