Iphan – Brasil News https://brasilnews.tv Portal de informações comprometido com a verdade, a clareza e a responsabilidade jornalística. Aqui, você encontra notícias aprofundadas, análises confiáveis e um jornalismo independente, feito para quem busca entender os fatos além das manchetes. Wed, 12 Nov 2025 18:18:35 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://brasilnews.tv/wp-content/uploads/2025/05/cropped-Brasil-News-Logo-1080-x-1080-px-32x32.png Iphan – Brasil News https://brasilnews.tv 32 32 Após uma década, antiga sede do Dops no Rio pode ser tombada como patrimônio histórico nacional. https://brasilnews.tv/apos-uma-decada-antiga-sede-do-dops-no-rio-pode-ser-tombada-como-patrimonio-historico-nacional/ https://brasilnews.tv/apos-uma-decada-antiga-sede-do-dops-no-rio-pode-ser-tombada-como-patrimonio-historico-nacional/#respond Thu, 13 Nov 2025 16:00:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3345 O prédio que serviu como sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no centro do Rio de Janeiro, caminha para ser oficialmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A decisão final está prevista para o próximo dia 26 de novembro, durante reunião do Conselho Consultivo do órgão, que será transmitida ao vivo pela internet.

Sala de interrogatório com revestimento original de isolamento acústico Foto: Felipe Nin/Divulgação/Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação

A proposta de tombamento tramita há mais de dez anos e tem como objetivo preservar o valor histórico, arquitetônico e simbólico do edifício, que foi palco de prisões, interrogatórios e torturas durante os períodos de repressão política no Brasil, especialmente no Estado Novo e na ditadura militar.

Em nota, o Iphan destacou que o imóvel representa “um marco na luta social e política pela democracia e pela liberdade”. Caso o tombamento seja confirmado, qualquer modificação no prédio dependerá de autorização do instituto, garantindo a preservação de seus elementos originais.

O movimento Ocupa Dops e diversas entidades de direitos humanos apoiam a iniciativa e pedem que o espaço seja transformado em um centro de memória sobre as vítimas da repressão.

Inaugurado em 1910, o prédio foi construído com inspiração francesa para abrigar a antiga Polícia Federal. Com celas, salas de interrogatório com isolamento acústico e afrescos originais, o edifício permanece fechado há mais de uma década e em estado precário de conservação.

De acordo com o arquiteto e pesquisador Felipe Nin, do Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação, a estrutura ainda preserva itens autênticos da época da repressão, como mobiliário original, inscrições nas paredes das celas e documentos históricos.

“O Dops é um testemunho vivo da violência do Estado. Ele deve ser preservado como lugar de memória, não apagado”, afirmou Nin, que também é sobrinho de Raul Amaro Nin, morto sob tortura em 1971.

Entre os presos políticos que passaram pelo local estão Olga Benário, Nise da Silveira, Luís Carlos Prestes e Abdias Nascimento. A antiga carceragem feminina ainda guarda inscrições datadas das décadas de 1950 e 1980, feitas por mulheres encarceradas durante o regime militar.

O Ministério Público Federal acompanha o processo e já alertou para o risco de descaracterização do espaço. Um projeto da Polícia Civil, que prevê a criação de um centro cultural no edifício, foi criticado por entidades de direitos humanos por ignorar o passado repressivo do local.

“Transformar o antigo Dops em um espaço que exalte a história policial sem reconhecer os crimes cometidos ali seria um novo apagamento”, alertou Nin.

O prédio pertence à União e está cedido à Polícia Civil do Rio desde a década de 1960. Com o tombamento, o imóvel não poderá sofrer reformas que alterem seu valor histórico.

Ex-presos políticos, como a farmacêutica Ana Bursztyn Miranda, destacam a importância da preservação do local como forma de evitar que a tortura e a violência de Estado se repitam.

Sala que foi gabinete do ex-chefe de polícia Filinto Müller Felipe Nin/Divulgação/Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação 

“A memória é uma forma de resistência. Lembrar o que aconteceu é impedir que aconteça de novo”, declarou Ana, que foi presa três vezes durante a ditadura.

📸 Foto: Felipe Nin / Divulgação / Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação
✍ Redação Brasil News

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