Financiamento Climático – Brasil News https://brasilnews.tv Portal de informações comprometido com a verdade, a clareza e a responsabilidade jornalística. Aqui, você encontra notícias aprofundadas, análises confiáveis e um jornalismo independente, feito para quem busca entender os fatos além das manchetes. Wed, 19 Nov 2025 13:58:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://brasilnews.tv/wp-content/uploads/2025/05/cropped-Brasil-News-Logo-1080-x-1080-px-32x32.png Financiamento Climático – Brasil News https://brasilnews.tv 32 32 Povos tradicionais reforçam na COP30: acesso direto a recursos climáticos é questão de sobrevivência https://brasilnews.tv/povos-tradicionais-reforcam-na-cop30-acesso-direto-a-recursos-climaticos-e-questao-de-sobrevivencia/ https://brasilnews.tv/povos-tradicionais-reforcam-na-cop30-acesso-direto-a-recursos-climaticos-e-questao-de-sobrevivencia/#respond Fri, 21 Nov 2025 17:00:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3772 A COP30, realizada em Belém, tornou-se palco para uma pauta que ganha força entre os debates climáticos: a defesa do acesso direto ao financiamento internacional por parte dos povos que vivem e protegem os territórios mais estratégicos para o equilíbrio climático do planeta. Indígenas, afrodescendentes, ribeirinhos e extrativistas têm buscado espaço na conferência para denunciar a baixa representatividade nas negociações e reivindicar que os recursos cheguem sem intermediários.

Foto: Bruno Peres

As manifestações realizadas ao longo do evento, algumas tentando romper bloqueios da ONU para serem ouvidas, refletem um descontentamento crescente. Segundo Raquel Biderman, vice-presidente da Conservation International nas Américas, a discrepância no fluxo de recursos é evidente: embora cerca de 30% das soluções climáticas venham diretamente da natureza, apenas 3% de todo o financiamento climático global é destinado a iniciativas ambientais — e somente 1% desse montante alcança os povos que cuidam das florestas.

Para as populações amazônicas, que mantêm estoques de carbono essenciais para evitar o avanço do aquecimento global acima de 1,5°C, a falta de investimento representa risco direto à sobrevivência física, cultural e territorial. “Eles querem acesso direto porque são eles que garantem que o carbono não vá para a atmosfera”, afirma Biderman. O Brasil sozinho abriga 1,7 milhão de indígenas, parte dos 511 povos que vivem em toda a Amazônia, dos quais 391 estão em território nacional.

Modelos de pagamento por serviços ambientais, turismo comunitário e sistemas agroflorestais já demonstram eficiência, mas não conseguem ganhar escala por falta de financiamento contínuo. A COP30 abriu espaço para novas alternativas, incluindo o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Mesmo assim, o volume de recursos ainda está distante do necessário. Conforme estimativa do Banco Mundial, seriam precisos US$ 7 bilhões anuais apenas para garantir a conservação da Amazônia — hoje, apenas US$ 600 milhões são investidos.

Outro ponto destacado pelos movimentos sociais é a insegurança gerada pela presença de economias ilegais em áreas remotas da floresta. Segundo especialistas, sem alternativas econômicas sustentáveis, jovens podem ser aliciados por organizações criminosas que exploram madeira, tráfico ou mineração.

Para as lideranças locais, o caminho passa por fortalecer a bioeconomia. Mais de 100 cadeias produtivas da Amazônia poderiam gerar renda e oportunidades sem romper o vínculo ancestral com os territórios. “Financiamento direto é o que pode evitar que a juventude seja tomada pelo crime e garantir que essas comunidades continuem existindo onde sempre estiveram”, defendem os movimentos.

Em Belém, marchas, encontros paralelos e ocupações simbólicas reforçaram o recado: soluções climáticas só serão duradouras quando as populações que protegem os ecossistemas forem incluídas como protagonistas e tiverem autonomia sobre os recursos destinados à preservação.


Foto: Bruno Peres
Redação Brasil News

]]>
https://brasilnews.tv/povos-tradicionais-reforcam-na-cop30-acesso-direto-a-recursos-climaticos-e-questao-de-sobrevivencia/feed/ 0
Economista Esther Duflo defende precificação do carbono e repasses diretos a populações vulneráveis na COP30. https://brasilnews.tv/economista-esther-duflo-defende-precificacao-do-carbono-e-repasses-diretos-a-populacoes-vulneraveis-na-cop30/ https://brasilnews.tv/economista-esther-duflo-defende-precificacao-do-carbono-e-repasses-diretos-a-populacoes-vulneraveis-na-cop30/#respond Fri, 14 Nov 2025 09:00:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3389 Na COP30, realizada em Belém, a economista francesa Esther Duflo — vencedora do Prêmio Nobel de Economia em 2019 — destacou a urgência de que países em desenvolvimento passem a adotar formas de precificação do carbono como parte de seus esforços para enfrentar a crise climática. Para Duflo, a implementação de taxas ou mecanismos semelhantes deve vir acompanhada de programas de transferência direta de renda para as comunidades mais vulneráveis, estratégia que ela considera essencial para um modelo de financiamento climático justo e eficiente.

A pesquisadora, professora do MIT, participa da conferência para apresentar sua proposta conhecida como “Just Economics”, apelidada de “Pix do clima”. A iniciativa prevê que nações ricas assumam a responsabilidade de compensar populações pobres pelos impactos do aquecimento global, enquanto governos de baixa e média renda se comprometem a criar sistemas próprios de taxação do carbono.
Segundo ela, esse equilíbrio permitiria alinhar justiça social e metas ambientais, garantindo que o dinheiro chegue de forma rápida e direta às pessoas mais afetadas.

Duflo afirmou também que a mobilização internacional para alcançar o objetivo de levantar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático ainda enfrenta resistência, mas que existe crescente apoio popular — especialmente em países desenvolvidos — para medidas que cobrem mais impostos de grandes fortunas, empresas e produtos com alta pegada ambiental. Embora não espere que todos os acordos avancem imediatamente na COP30, ela avalia que “os primeiros passos já foram dados” e que a construção desse sistema é um processo de longo prazo.

A economista explicou ainda que precificar o carbono ajudaria países como o Brasil a tomar decisões mais responsáveis sobre exploração de petróleo, incluindo na Amazônia. De acordo com sua proposta, valores diferenciados poderiam ser aplicados conforme o nível de desenvolvimento, indo de US$ 10 por tonelada de CO₂ em países mais pobres a US$ 50 para economias maiores. “Um preço zero incentiva projetos ineficientes e não reflete o custo real da poluição”, afirmou.

Crítica contundente dos mercados voluntários de carbono, Duflo classificou esse modelo como insuficiente e arriscado, defendendo mecanismos regulados por governos nacionais ou multilaterais. Para ela, apenas regras claras e abrangentes podem evitar distorções, fraudes e práticas de greenwashing que prejudicam a proteção ambiental.

Durante sua passagem por Belém, Duflo disse que pretende dialogar com comunidades tradicionais da Amazônia para compreender suas experiências diretas com os efeitos das mudanças climáticas, especialmente em relação à insegurança alimentar, ao trabalho sob calor extremo e aos impactos sobre a saúde — problemas que ela considera centrais para entender o alcance humano da crise ambiental.

Foto: Jeremy Suyker/Bloomberg

]]>
https://brasilnews.tv/economista-esther-duflo-defende-precificacao-do-carbono-e-repasses-diretos-a-populacoes-vulneraveis-na-cop30/feed/ 0