escassez de água – Brasil News https://brasilnews.tv Portal de informações comprometido com a verdade, a clareza e a responsabilidade jornalística. Aqui, você encontra notícias aprofundadas, análises confiáveis e um jornalismo independente, feito para quem busca entender os fatos além das manchetes. Thu, 12 Mar 2026 10:43:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://brasilnews.tv/wp-content/uploads/2025/05/cropped-Brasil-News-Logo-1080-x-1080-px-32x32.png escassez de água – Brasil News https://brasilnews.tv 32 32 Cientistas criam cristal que “produz água do ar” sem energia e pode mudar o futuro do abastecimento mundial. https://brasilnews.tv/cientistas-criam-cristal-que-produz-agua-do-ar-sem-energia-e-pode-mudar-o-futuro-do-abastecimento-mundial/ https://brasilnews.tv/cientistas-criam-cristal-que-produz-agua-do-ar-sem-energia-e-pode-mudar-o-futuro-do-abastecimento-mundial/#respond Sun, 15 Mar 2026 04:39:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=7912 Pesquisadores internacionais anunciaram o desenvolvimento de um material inovador capaz de capturar água diretamente da umidade presente no ar sem a necessidade de energia externa. A tecnologia utiliza os chamados cristais Janus, um tipo de material orgânico inteligente que combina propriedades físicas distintas em suas superfícies para condensar e direcionar a água capturada da atmosfera.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Jilin, na China, em colaboração com pesquisadores do Center for Smart Engineering Materials da NYU Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Os resultados foram publicados na revista científica Journal of the American Chemical Society e demonstraram uma eficiência recorde na coleta de água atmosférica.

Nos testes realizados em laboratório, o material alcançou uma taxa de coleta de aproximadamente 15,96 gramas de água por centímetro quadrado a cada hora, superando diversos sistemas experimentais utilizados atualmente para capturar água da névoa ou da umidade do ar.

A tecnologia baseia-se em um princípio físico simples, mas extremamente eficiente: a combinação de superfícies hidrofílicas e hidrofóbicas. Superfícies hidrofílicas têm afinidade com a água e facilitam a condensação do vapor presente no ar. Já superfícies hidrofóbicas repelem a água, permitindo que as gotas formadas se movimentem rapidamente pela superfície do material.

Nos cristais Janus, essas duas características estão presentes simultaneamente. Uma das faces do cristal captura a umidade e inicia a formação de gotas, enquanto a outra direciona essas gotas para pontos de coleta. Dessa forma, o material consegue realizar a condensação e o transporte da água sem a necessidade de bombas, eletricidade ou qualquer sistema mecânico.

O nome “Janus” faz referência ao deus romano Jano, representado na mitologia com duas faces voltadas para direções opostas. Essa característica simboliza justamente o comportamento dual do material, que possui duas superfícies com propriedades físicas diferentes trabalhando em conjunto.

Parte das pesquisas que inspiraram o desenvolvimento da tecnologia foi baseada em observações realizadas no deserto da Namíbia, considerado um dos ambientes mais secos do planeta. Apesar das baixíssimas taxas de chuva na região, a presença constante de névoa oceânica fornece uma fonte alternativa de água para diversos organismos.

Esse fenômeno ocorre devido à influência da corrente fria de Benguela, que resfria o ar sobre o Oceano Atlântico e favorece a formação de neblina ao longo da costa africana. Mesmo com precipitações anuais inferiores a 25 milímetros em algumas áreas, essa névoa pode fornecer umidade suficiente para sustentar parte do ecossistema local.

Inspirados por esse mecanismo natural, os cientistas desenvolveram materiais capazes de imitar esse processo em laboratório. Essa abordagem faz parte de um campo científico conhecido como biomimética, que busca reproduzir soluções encontradas na natureza para resolver problemas tecnológicos.

Nos experimentos realizados pelos pesquisadores, cerca de 60 cristais Janus foram fixados em uma placa de vidro e expostos a um ambiente de névoa artificial, simulando condições atmosféricas presentes em regiões áridas costeiras. Durante os testes, foi possível observar diretamente a formação e o deslocamento das gotas de água ao longo da superfície do material.

Outro aspecto interessante do material é sua transparência. Os cristais permitem que o processo de condensação seja observado em tempo real, facilitando o monitoramento científico e possibilitando o desenvolvimento de sensores naturais de coleta de água.

Além disso, os cristais apresentam boa resistência mecânica e elasticidade, permitindo que suportem ciclos repetidos de absorção e liberação de água sem perder suas propriedades estruturais.

A pesquisa ganha relevância em um momento em que a escassez hídrica se intensifica em diversas regiões do mundo. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, aproximadamente 4 bilhões de pessoas enfrentam escassez severa de água durante pelo menos um mês por ano.

Ao mesmo tempo, a atmosfera terrestre contém uma enorme quantidade de água em suspensão na forma de vapor e névoa — um volume equivalente a cerca de seis vezes o total de água presente em todos os rios do planeta.

Apesar dessa grande reserva natural, a maior parte dessa água ainda permanece pouco explorada como fonte de abastecimento.

Tecnologias capazes de capturar água diretamente do ar podem se tornar uma alternativa importante para complementar métodos tradicionais como dessalinização da água do mar, captação de aquíferos subterrâneos ou transporte de água por longas distâncias.

Caso a tecnologia dos cristais Janus consiga avançar para aplicações em larga escala, ela poderá contribuir para o desenvolvimento de sistemas descentralizados de produção de água potável, especialmente em regiões áridas, comunidades isoladas ou áreas afetadas por escassez hídrica.

A pesquisa indica que o ar que respiramos pode se tornar uma fonte cada vez mais relevante de água no futuro, abrindo novas possibilidades para o abastecimento sustentável em diferentes partes do planeta.

Foto: Center for Smart Engineering Materials / NYU Abu Dhabi
Redação – Thiago Salles

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A água sumiu dos Andes — agora uma técnica milenar está humilhando soluções modernas na Bolívia. https://brasilnews.tv/a-agua-sumiu-dos-andes-agora-uma-tecnica-milenar-esta-humilhando-solucoes-modernas-na-bolivia/ https://brasilnews.tv/a-agua-sumiu-dos-andes-agora-uma-tecnica-milenar-esta-humilhando-solucoes-modernas-na-bolivia/#respond Sun, 15 Mar 2026 04:29:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=7908 Enquanto boa parte do mundo aposta apenas em obras caras e soluções convencionais para enfrentar a crise hídrica, comunidades da Bolívia estão recorrendo ao passado para mudar o presente. Em regiões extremas dos Andes, técnicas ancestrais voltaram a ganhar espaço e já mostram impacto concreto na recuperação de áreas secas, na volta da água às montanhas e na redução de processos erosivos que há anos ameaçam lavouras, casas e estradas.

A lógica é simples, mas poderosa: desacelerar a água da chuva para que ela volte a infiltrar no solo, em vez de descer encosta abaixo com violência. Para isso, as comunidades combinam terraços de pedra, canais, pequenas lagoas artificiais, áreas úmidas restauradas, reservatórios e reflorestamento com espécies nativas. O efeito esperado é fazer a montanha funcionar novamente como uma esponja natural, reativando nascentes e ampliando a disponibilidade hídrica ao longo do ano.

Um dos casos destacados ocorre na região de San Francisco, onde uma área antes severamente seca passou a reter água outra vez após a recuperação ambiental. Segundo o material publicado, a água infiltrada no período chuvoso reaparece mais abaixo em nascentes, rios e córregos, e um dos pontos restaurados já ajuda a abastecer 15 famílias para uso doméstico e irrigação.

O projeto também inclui estruturas de armazenamento para atravessar os meses de estiagem com mais segurança. Um dos reservatórios mencionados tem capacidade para 46 mil litros e teria sido construído em cerca de três dias e meio com adobe, pedra e outros materiais locais. Em outra frente, um reservatório de 500 mil litros atende dezenas de parcelas agroflorestais e reforça a produção comunitária em uma encosta em recuperação.

Além do abastecimento, a iniciativa tenta conter danos recorrentes provocados pela instabilidade do relevo andino. Com menos enxurrada concentrada e mais infiltração, a expectativa é reduzir erosão, deslizamentos e até o isolamento de comunidades, já que estradas da região frequentemente sofrem bloqueios após chuvas intensas. A estratégia ganhou força em um contexto de secas severas e de perda acelerada de geleiras andinas, que são fundamentais para o abastecimento em partes da Bolívia.

Outro ponto central é o protagonismo local. Em vez de depender exclusivamente de soluções externas, as comunidades participam da construção, manutenção e replicação das técnicas, resgatando um conhecimento territorial acumulado ao longo de séculos. O que chama atenção é justamente essa combinação entre engenharia simples, baixo custo e forte adaptação ao ambiente de montanha.

Na prática, o que está em jogo não é apenas o verde voltando à paisagem. É a tentativa de reconstruir a relação entre água, floresta, solo e produção agrícola em uma região pressionada por secas prolongadas, chuvas intensas e mudanças ambientais cada vez mais severas. E é por isso que a experiência boliviana desperta interesse: ao olhar para trás, essas comunidades podem estar apontando um caminho viável para o futuro.

Foto: (divulgação/GlobalGiving)
Redação – Thiago Salles

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