Ditadura Militar – Brasil News https://brasilnews.tv Portal de informações comprometido com a verdade, a clareza e a responsabilidade jornalística. Aqui, você encontra notícias aprofundadas, análises confiáveis e um jornalismo independente, feito para quem busca entender os fatos além das manchetes. Sat, 02 May 2026 21:34:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://brasilnews.tv/wp-content/uploads/2025/05/cropped-Brasil-News-Logo-1080-x-1080-px-32x32.png Ditadura Militar – Brasil News https://brasilnews.tv 32 32 Morre aos 85 anos Raimundo Rodrigues Pereira, símbolo da resistência à ditadura no Brasil. https://brasilnews.tv/morre-aos-85-anos-raimundo-rodrigues-pereira-simbolo-da-resistencia-a-ditadura-no-brasil/ https://brasilnews.tv/morre-aos-85-anos-raimundo-rodrigues-pereira-simbolo-da-resistencia-a-ditadura-no-brasil/#respond Sun, 03 May 2026 05:30:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=9505 O jornalismo brasileiro perdeu neste sábado um de seus nomes mais marcantes. Raimundo Rodrigues Pereira morreu aos 85 anos, no Rio de Janeiro, deixando um legado profundamente ligado à luta pela liberdade de expressão e pela democracia.

Natural de Exu, Raimundo construiu uma carreira sólida baseada no compromisso com a informação crítica e independente. Ao longo dos anos, passou por veículos importantes da imprensa nacional, como a revista Realidade e o jornal O Estado de S. Paulo, onde se destacou pela qualidade de suas reportagens e análises.

No entanto, foi na chamada imprensa alternativa que seu papel histórico se consolidou. Durante o período da ditadura militar no Brasil, atuou diretamente na resistência ao regime, enfrentando censura e repressão com um jornalismo combativo.

Um dos principais marcos de sua trajetória foi a fundação do jornal Movimento, em 1975. Sob sua liderança, o veículo tornou-se referência na denúncia de abusos e na defesa das liberdades democráticas, reunindo vozes que eram silenciadas pelo regime da época.

Mesmo sob forte pressão, incluindo censura prévia e dificuldades financeiras, o jornal manteve sua linha editorial crítica. Em várias edições, espaços em branco simbolizavam a interferência do regime, tornando-se um retrato direto da limitação à liberdade de imprensa.

Em fases posteriores da carreira, Raimundo também se dedicou a projetos voltados à análise da realidade brasileira, aprofundando debates sociais e políticos por meio de iniciativas jornalísticas independentes.

A trajetória do jornalista se confunde com momentos decisivos da história do país, especialmente no enfrentamento ao autoritarismo. Sua atuação permanece como referência de coragem e compromisso com a informação.

O corpo será cremado ainda neste sábado. Familiares, colegas e admiradores prestam homenagens a um profissional que ajudou a moldar o jornalismo brasileiro.

Foto: Reprodução/Arquivo
Redação – Thiago Salles

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Após seis décadas, Justiça Militar arquiva processo contra nove chineses perseguidos na ditadura. https://brasilnews.tv/apos-seis-decadas-justica-militar-arquiva-processo-contra-nove-chineses-perseguidos-na-ditadura/ https://brasilnews.tv/apos-seis-decadas-justica-militar-arquiva-processo-contra-nove-chineses-perseguidos-na-ditadura/#respond Mon, 17 Nov 2025 13:00:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3569 Um dos episódios mais obscuros do regime militar brasileiro chegou ao fim, mais de seis décadas depois. A Justiça Militar decidiu arquivar o processo aberto em 1964 contra nove cidadãos chineses presos nos primeiros dias após o golpe. O grupo, que incluía jornalistas e representantes comerciais, foi acusado pelo regime da época de espionagem e tentativa de implantar ideais maoístas no Brasil — acusações que nunca foram comprovadas.

A prisão ocorreu em 3 de abril de 1964, quando agentes do governo do então governador Carlos Lacerda, aliado dos militares, detiveram os estrangeiros sem flagrante e sem mandado. Eles foram submetidos a tortura e interrogatórios no Dops, e permaneceram encarcerados por um ano até serem expulsos do país.

Mesmo sem evidências concretas, o Ministério Público Militar denunciou os chineses por supostos crimes contra a segurança nacional. Entre as justificativas da denúncia estavam reportagens que mencionavam desigualdade social no Brasil e notas comerciais que, segundo o regime, seriam fachada para atividades de espionagem.

A defesa ficou a cargo do histórico advogado Sobral Pinto, que, mesmo diante da falta de provas, viu seus clientes serem condenados a dez anos de prisão. A sentença, marcada pelo viés ideológico da época, citava riscos à “democracia cristã e liberal” e sustentava-se em indícios frágeis.

Em 1965, Sobral Pinto pediu ao então presidente Castello Branco o perdão dos condenados. A resposta oficial foi expulsar os estrangeiros do território nacional. O recurso que pedia a anulação da condenação ficou engavetado no Superior Tribunal Militar (STM) por 61 anos, ignorando o fim da ditadura, a prescrição do processo e a morte de oito dos nove réus.

O caso só retornou à pauta após um pedido de João Vicente Goulart, filho do presidente deposto, para que o tribunal reconhecesse o encerramento definitivo do processo. Em 23 de outubro, o STM finalmente determinou o arquivamento, destacando que a prescrição já havia ocorrido em 1981. O acórdão, publicado discretamente, coloca fim a um processo gigantesco: 50 volumes, 133 apensos e 18 anexos.

O episódio impactou profundamente as relações diplomáticas entre Brasil e China, que só seriam normalizadas muitos anos depois. Detalhes das torturas e perseguições estão reunidos no livro O caso dos nove chineses, de Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo. O único sobrevivente, o jornalista Ju Qingdong, hoje com 95 anos, relembra os abusos e ameaças sofridos durante o encarceramento.

Foto: Arquivo / 22-12-1964

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Após uma década, antiga sede do Dops no Rio pode ser tombada como patrimônio histórico nacional. https://brasilnews.tv/apos-uma-decada-antiga-sede-do-dops-no-rio-pode-ser-tombada-como-patrimonio-historico-nacional/ https://brasilnews.tv/apos-uma-decada-antiga-sede-do-dops-no-rio-pode-ser-tombada-como-patrimonio-historico-nacional/#respond Thu, 13 Nov 2025 16:00:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3345 O prédio que serviu como sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no centro do Rio de Janeiro, caminha para ser oficialmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A decisão final está prevista para o próximo dia 26 de novembro, durante reunião do Conselho Consultivo do órgão, que será transmitida ao vivo pela internet.

Sala de interrogatório com revestimento original de isolamento acústico Foto: Felipe Nin/Divulgação/Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação

A proposta de tombamento tramita há mais de dez anos e tem como objetivo preservar o valor histórico, arquitetônico e simbólico do edifício, que foi palco de prisões, interrogatórios e torturas durante os períodos de repressão política no Brasil, especialmente no Estado Novo e na ditadura militar.

Em nota, o Iphan destacou que o imóvel representa “um marco na luta social e política pela democracia e pela liberdade”. Caso o tombamento seja confirmado, qualquer modificação no prédio dependerá de autorização do instituto, garantindo a preservação de seus elementos originais.

O movimento Ocupa Dops e diversas entidades de direitos humanos apoiam a iniciativa e pedem que o espaço seja transformado em um centro de memória sobre as vítimas da repressão.

Inaugurado em 1910, o prédio foi construído com inspiração francesa para abrigar a antiga Polícia Federal. Com celas, salas de interrogatório com isolamento acústico e afrescos originais, o edifício permanece fechado há mais de uma década e em estado precário de conservação.

De acordo com o arquiteto e pesquisador Felipe Nin, do Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação, a estrutura ainda preserva itens autênticos da época da repressão, como mobiliário original, inscrições nas paredes das celas e documentos históricos.

“O Dops é um testemunho vivo da violência do Estado. Ele deve ser preservado como lugar de memória, não apagado”, afirmou Nin, que também é sobrinho de Raul Amaro Nin, morto sob tortura em 1971.

Entre os presos políticos que passaram pelo local estão Olga Benário, Nise da Silveira, Luís Carlos Prestes e Abdias Nascimento. A antiga carceragem feminina ainda guarda inscrições datadas das décadas de 1950 e 1980, feitas por mulheres encarceradas durante o regime militar.

O Ministério Público Federal acompanha o processo e já alertou para o risco de descaracterização do espaço. Um projeto da Polícia Civil, que prevê a criação de um centro cultural no edifício, foi criticado por entidades de direitos humanos por ignorar o passado repressivo do local.

“Transformar o antigo Dops em um espaço que exalte a história policial sem reconhecer os crimes cometidos ali seria um novo apagamento”, alertou Nin.

O prédio pertence à União e está cedido à Polícia Civil do Rio desde a década de 1960. Com o tombamento, o imóvel não poderá sofrer reformas que alterem seu valor histórico.

Ex-presos políticos, como a farmacêutica Ana Bursztyn Miranda, destacam a importância da preservação do local como forma de evitar que a tortura e a violência de Estado se repitam.

Sala que foi gabinete do ex-chefe de polícia Filinto Müller Felipe Nin/Divulgação/Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação 

“A memória é uma forma de resistência. Lembrar o que aconteceu é impedir que aconteça de novo”, declarou Ana, que foi presa três vezes durante a ditadura.

📸 Foto: Felipe Nin / Divulgação / Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação
✍ Redação Brasil News

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