COP30 – Brasil News https://brasilnews.tv Portal de informações comprometido com a verdade, a clareza e a responsabilidade jornalística. Aqui, você encontra notícias aprofundadas, análises confiáveis e um jornalismo independente, feito para quem busca entender os fatos além das manchetes. Tue, 09 Dec 2025 18:12:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://brasilnews.tv/wp-content/uploads/2025/05/cropped-Brasil-News-Logo-1080-x-1080-px-32x32.png COP30 – Brasil News https://brasilnews.tv 32 32 Planeta caminha para registrar um dos anos mais quentes da história, aponta serviço climático da União Europeia. https://brasilnews.tv/planeta-caminha-para-registrar-um-dos-anos-mais-quentes-da-historia-aponta-servico-climatico-da-uniao-europeia/ https://brasilnews.tv/planeta-caminha-para-registrar-um-dos-anos-mais-quentes-da-historia-aponta-servico-climatico-da-uniao-europeia/#respond Tue, 09 Dec 2025 18:12:11 +0000 https://brasilnews.tv/?p=4770 O ano de 2025 caminha para entrar na lista dos mais quentes já registrados no planeta. Segundo levantamento divulgado pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, este pode ser o segundo ou terceiro ano mais quente da história, ficando atrás apenas do recorde absoluto de 2024.

O relatório foi publicado após a realização da COP30, conferência climática realizada no mês passado, que terminou sem a definição de novas metas concretas para a redução das emissões de gases do efeito estufa. A falta de avanços reflete o atual cenário geopolítico, marcado por recuos ambientais dos Estados Unidos e tentativas de flexibilização das metas de corte de carbono por parte de alguns países.

De acordo com o Copernicus, 2025 deve encerrar o primeiro ciclo de três anos consecutivos em que a temperatura média global ultrapassou 1,5 °C acima dos níveis do período pré-industrial, entre 1850 e 1900 — referência usada pelos cientistas para medir o impacto da ação humana no clima.

Para especialistas, esse marco é um alerta direto sobre a velocidade das transformações climáticas. O aumento das temperaturas já vem se refletindo em episódios extremos: nas Filipinas, o tufão Kalmaegi deixou mais de 200 mortos no mês passado, enquanto a Espanha enfrentou os piores incêndios florestais das últimas três décadas. Em Portugal, o fogo também avançou de forma violenta em diversas regiões, como ocorreu em Meda, no verão europeu.

Apesar das variações naturais do clima de um ano para outro, cientistas reforçam que existe uma tendência clara e contínua de aquecimento do planeta. Estudos apontam que a principal causa desse processo é a liberação de gases de efeito estufa, especialmente pela queima de combustíveis fósseis.

A Organização Meteorológica Mundial já confirmou que os últimos dez anos foram, consecutivamente, os mais quentes desde o início das medições globais. O acordo de Paris, firmado em 2015, previa limitar o aquecimento global a 1,5 °C, mas a própria Organização das Nações Unidas já reconheceu que esse objetivo dificilmente será alcançado, pedindo ações mais rápidas e rigorosas por parte dos governos.

Os dados do Copernicus consideram registros a partir de 1940 e são comparados com medições históricas que remontam a 1850, permitindo uma análise ampla da evolução das temperaturas no planeta.


Foto: Pedro Nunes / Reuters
Redação Brasil News

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TV Brasil exibe especial sobre a COP30 e reúne os principais debates do encontro climático em Belém. https://brasilnews.tv/tv-brasil-exibe-especial-sobre-a-cop30-e-reune-os-principais-debates-do-encontro-climatico-em-belem/ https://brasilnews.tv/tv-brasil-exibe-especial-sobre-a-cop30-e-reune-os-principais-debates-do-encontro-climatico-em-belem/#respond Sun, 30 Nov 2025 12:37:44 +0000 https://brasilnews.tv/?p=4313 A TV Brasil leva ao ar neste domingo (30), a partir das 17h30, um programa especial dedicado à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, no Pará. A atração, intitulada A COP da Amazônia, apresenta um panorama das principais decisões, discursos e debates que marcaram o encontro internacional.

Durante cerca de 50 minutos, o público poderá acompanhar os pontos mais relevantes discutidos por chefes de Estado, autoridades ambientais, cientistas e representantes da sociedade civil de mais de cem países. A proposta do programa é oferecer uma leitura acessível e crítica sobre os rumos das políticas ambientais globais e os impactos diretos para o Brasil e a região amazônica.

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela TV Brasil, teve papel de destaque durante a realização da conferência ao atuar como emissora oficial do evento. A empresa foi encarregada de gerar e distribuir as imagens institucionais da COP30 para veículos do mundo inteiro, em uma operação considerada a maior de sua história.

A cobertura contou com mais de 300 profissionais mobilizados entre técnicos e jornalistas, além de dezenas de sinais simultâneos de transmissão, estúdios integrados de rádio e televisão, produção em ultra definição (4K) e um centro de controle criado exclusivamente para garantir estabilidade e qualidade nos envios.

Além da parte técnica, a EBC também apostou em uma cobertura editorial aprofundada, com atenção especial aos povos tradicionais, aos desafios ambientais da Amazônia e às discussões sobre desenvolvimento sustentável. A proposta foi dar visibilidade às vozes locais e aos saberes que fazem parte da realidade amazônica.

O especial exibido neste domingo consolida esse esforço ao transformar os principais momentos da COP30 em um material informativo e reflexivo, voltado ao grande público.

Crédito da foto: Bruno Peres / Agência Brasil

Redação Brasil News

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Povos tradicionais reforçam na COP30: acesso direto a recursos climáticos é questão de sobrevivência https://brasilnews.tv/povos-tradicionais-reforcam-na-cop30-acesso-direto-a-recursos-climaticos-e-questao-de-sobrevivencia/ https://brasilnews.tv/povos-tradicionais-reforcam-na-cop30-acesso-direto-a-recursos-climaticos-e-questao-de-sobrevivencia/#respond Fri, 21 Nov 2025 17:00:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3772 A COP30, realizada em Belém, tornou-se palco para uma pauta que ganha força entre os debates climáticos: a defesa do acesso direto ao financiamento internacional por parte dos povos que vivem e protegem os territórios mais estratégicos para o equilíbrio climático do planeta. Indígenas, afrodescendentes, ribeirinhos e extrativistas têm buscado espaço na conferência para denunciar a baixa representatividade nas negociações e reivindicar que os recursos cheguem sem intermediários.

Foto: Bruno Peres

As manifestações realizadas ao longo do evento, algumas tentando romper bloqueios da ONU para serem ouvidas, refletem um descontentamento crescente. Segundo Raquel Biderman, vice-presidente da Conservation International nas Américas, a discrepância no fluxo de recursos é evidente: embora cerca de 30% das soluções climáticas venham diretamente da natureza, apenas 3% de todo o financiamento climático global é destinado a iniciativas ambientais — e somente 1% desse montante alcança os povos que cuidam das florestas.

Para as populações amazônicas, que mantêm estoques de carbono essenciais para evitar o avanço do aquecimento global acima de 1,5°C, a falta de investimento representa risco direto à sobrevivência física, cultural e territorial. “Eles querem acesso direto porque são eles que garantem que o carbono não vá para a atmosfera”, afirma Biderman. O Brasil sozinho abriga 1,7 milhão de indígenas, parte dos 511 povos que vivem em toda a Amazônia, dos quais 391 estão em território nacional.

Modelos de pagamento por serviços ambientais, turismo comunitário e sistemas agroflorestais já demonstram eficiência, mas não conseguem ganhar escala por falta de financiamento contínuo. A COP30 abriu espaço para novas alternativas, incluindo o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Mesmo assim, o volume de recursos ainda está distante do necessário. Conforme estimativa do Banco Mundial, seriam precisos US$ 7 bilhões anuais apenas para garantir a conservação da Amazônia — hoje, apenas US$ 600 milhões são investidos.

Outro ponto destacado pelos movimentos sociais é a insegurança gerada pela presença de economias ilegais em áreas remotas da floresta. Segundo especialistas, sem alternativas econômicas sustentáveis, jovens podem ser aliciados por organizações criminosas que exploram madeira, tráfico ou mineração.

Para as lideranças locais, o caminho passa por fortalecer a bioeconomia. Mais de 100 cadeias produtivas da Amazônia poderiam gerar renda e oportunidades sem romper o vínculo ancestral com os territórios. “Financiamento direto é o que pode evitar que a juventude seja tomada pelo crime e garantir que essas comunidades continuem existindo onde sempre estiveram”, defendem os movimentos.

Em Belém, marchas, encontros paralelos e ocupações simbólicas reforçaram o recado: soluções climáticas só serão duradouras quando as populações que protegem os ecossistemas forem incluídas como protagonistas e tiverem autonomia sobre os recursos destinados à preservação.


Foto: Bruno Peres
Redação Brasil News

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COP30 lança pacote oceânico que pode cortar até 35% das emissões globais de CO₂ até 2050.A https://brasilnews.tv/cop30-lanca-pacote-oceanico-que-pode-cortar-ate-35-das-emissoes-globais-de-co%e2%82%82-ate-2050-a/ https://brasilnews.tv/cop30-lanca-pacote-oceanico-que-pode-cortar-ate-35-das-emissoes-globais-de-co%e2%82%82-ate-2050-a/#respond Thu, 20 Nov 2025 17:00:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3769 A agenda climática ganhou novo fôlego com o anúncio do blue package, um amplo pacote de ações voltadas para soluções climáticas marinhas, apresentado na COP30, em Belém. A enviada especial para Oceanos, Marinez Scherer, afirmou que a iniciativa tem potencial para reduzir até 35% das emissões globais de CO₂ até 2050, posicionando o oceano como protagonista da agenda de mitigação.

Foto: Marinez Scherer/Instagram

Construído por especialistas brasileiros, representantes da sociedade civil e pela presidência da COP, o pacote reúne cerca de 70 propostas que abrangem energia renovável oceânica, navegação de baixo carbono, aquicultura sustentável, conservação marinha, turismo costeiro e novos modelos de investimento em inovação azul.

O plano busca destravar recursos financeiros e mobilizar tanto governos quanto o setor privado para ampliar a proteção marinha. As estimativas apontam que serão necessários entre US$ 130 bilhões e US$ 170 bilhões para viabilizar a transição proposta e fortalecer a resiliência costeira diante das mudanças climáticas.

“Queremos garantir que o oceano continue sendo o grande estabilizador climático do planeta, restaurando áreas costeiras e protegendo ecossistemas essenciais”, destacou Scherer. Ela defendeu que o avanço das ações depende de marcos regulatórios claros, mecanismos de redução de risco e maior responsabilização dos países.

Entre as novidades, foi lançado também o Ocean Breakthroughs Dashboard, plataforma que permitirá acompanhar, em tempo real, o progresso das metas ligadas aos oceanos. Segundo os organizadores, a ferramenta representa um “novo contrato social para a governança marinha”.

Até o momento, 17 países assumiram o compromisso de incluir o oceano em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Além de Brasil e França, já haviam aderido nações como Austrália, Fiji, Chile e Reino Unido. Entraram agora no grupo Bélgica, Camboja, Canadá, Indonésia, Portugal e Singapura.

Para a comitiva brasileira, colocar o oceano no centro das decisões climáticas significa alinhar os compromissos nacionais com esforços globais já em andamento. A expectativa é que o blue package marque uma nova fase da diplomacia ambiental, unindo preservação, desenvolvimento e inovação.

Foto: Marinez Scherer/Instagram
Redação Brasil News

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COP30 expõe desigualdades na Vila da Barca, em Belém, onde crise climática e vulnerabilidade social se cruzam. https://brasilnews.tv/cop30-expoe-desigualdades-na-vila-da-barca-em-belem-onde-crise-climatica-e-vulnerabilidade-social-se-cruzam/ https://brasilnews.tv/cop30-expoe-desigualdades-na-vila-da-barca-em-belem-onde-crise-climatica-e-vulnerabilidade-social-se-cruzam/#respond Wed, 19 Nov 2025 16:00:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3760 No coração de Belém, a poucos quilômetros dos espaços onde ocorrem as discussões globais da COP30, a comunidade da Vila da Barca vive uma realidade que traduz, de forma crua, os desafios da justiça climática no Brasil. Erguida sobre palafitas às margens da baía do Guajará há mais de um século, a área — uma das maiores comunidades urbanas desse tipo na América Latina — enfrenta riscos crescentes decorrentes das chuvas intensas, das marés e do avanço da crise ambiental.

Cleonice da Silva Vera Cruz, aposentada de 77 anos, moradora da comunidade da Vila da Barca, em palafitas na baía do Rio Guajará – Foto Tânia Rêgo

Entre as casas de madeira desgastadas pelo tempo vive Cleonice Vera Cruz, de 77 anos, que há quase seis décadas chama a Vila da Barca de lar. “Quando venta forte, tudo balança. E quando chove, molha tudo por dentro”, relata, enquanto tenta drenar a água acumulada após mais uma tempestade.

O medo se intensificou após o desabamento de uma das palafitas na semana passada. Quatro moradores conseguiram escapar antes da queda, alertados por estalos que antecederam o colapso da estrutura. Vizinhos tiveram suas casas comprometidas e precisaram ser acolhidos por outros moradores, reforçando a união de uma comunidade marcada por constante vulnerabilidade.

Para os líderes locais, a realidade da Vila da Barca deve ocupar espaço central nos debates ambientais. Gerson Siqueira, presidente da Associação de Moradores, afirma que a discussão climática não pode ignorar as populações mais impactadas. “Fala-se de transição energética e financiamento verde, mas e quem vive sem saneamento, sem segurança estrutural, exposto a riscos diários? Isso também é crise ambiental”, destaca.

A situação da Vila da Barca reflete dados divulgados pela ONG Habitat para a Humanidade Brasil durante a COP30: mais de 66% da população que vive em áreas de risco no país é negra, e grande parte das moradias não possui saneamento básico. Os números ressaltam como a crise climática reacende desigualdades históricas — fenômeno reconhecido por especialistas como racismo ambiental.

Um exemplo dessa realidade é a diarista Maria Isabel Cunha, conhecida como Bebel, mãe solo de dois meninos, um deles com deficiência. Sem emprego fixo, ela vive de pequenos trabalhos e da pensão do filho. “O dinheiro não dá nem para ajeitar a casa. Queria uma oportunidade melhor, mas também preciso cuidar do meu filho”, diz.

Apesar da proximidade com o centro revitalizado de Belém — transformado para receber a conferência — muitos moradores pouco sabem sobre as discussões globais. Alguns, como Bebel, notam apenas as mudanças visuais na cidade. Outros, como Cleonice, acompanham pela TV e se impressionam com a presença de povos indígenas na capital.

O bairro onde está a Vila da Barca passa por obras de saneamento feitas pela concessionária Águas do Pará, que instalou hidrômetros individuais e deve concluir o sistema de esgoto até abril do próximo ano. Mesmo assim, para os moradores, as melhorias só terão efeito real quando houver acesso a moradias seguras e dignas.

A comunidade, apesar das dificuldades, preserva forte identidade cultural, com festas populares, blocos de carnaval e participação no Círio de Nazaré. Mas a permanência das famílias depende de políticas públicas que considerem adaptação climática, infraestrutura e respeito às comunidades tradicionais.

Especialistas da Habitat Brasil alertam que apenas 8% das metas climáticas globais mencionam favelas e territórios vulneráveis. Para eles, enfrentar os efeitos da crise climática exige fortalecer essas comunidades, e não removê-las. “A solução não é apagar territórios, mas garantir condições dignas para que essas pessoas continuem vivendo onde construíram sua história”, reforça a ONG.


Foto: Tânia Rêgo
Redação Brasil News

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CEO da COP30 defende manifestações indígenas e diz que protestos fortalecem ambiente democrático. https://brasilnews.tv/ceo-da-cop30-defende-manifestacoes-indigenas-e-diz-que-protestos-fortalecem-ambiente-democratico/ https://brasilnews.tv/ceo-da-cop30-defende-manifestacoes-indigenas-e-diz-que-protestos-fortalecem-ambiente-democratico/#respond Sun, 16 Nov 2025 19:18:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3534 Belém — A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, afirmou nesta sexta-feira que os protestos realizados por grupos indígenas durante a conferência representam uma manifestação democrática legítima e não interferem no andamento das negociações climáticas. As declarações ocorreram após a mobilização dos mundurukus do Baixo Tapajós, que bloqueou por horas o acesso principal à área de debates do evento.

O protesto, iniciado ainda de madrugada, reuniu cerca de 100 representantes indígenas contrários ao Decreto 12.600/25 — que abre caminho para a privatização de estruturas hidroviárias, inclusive no Rio Tapajós — e ao projeto da Ferrogrão, previsto para ligar Mato Grosso ao Pará. Segundo as lideranças, ambos os empreendimentos ameaçam a integridade territorial dos povos originários e impactam diretamente modos de vida tradicionais.

A ação causou danos pontuais na área externa do evento e deixou dois seguranças com ferimentos leves, o que levou a ONU a solicitar informações formais ao governo brasileiro. Ainda assim, Toni reforçou que manifestações como essa são esperadas em conferências internacionais, e que o diálogo com as comunidades amazônicas é fundamental:
“Estamos ouvindo suas vozes. O Brasil tem uma democracia robusta, que garante o direito de protesto.”

Para contornar o impasse, participantes da COP30 foram orientados a usar uma entrada lateral. A liberação total do acesso só ocorreu após negociação envolvendo Ana Toni, o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, e as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas). Em seguida, uma comitiva dos mundurukus foi recebida em reunião oficial.

Corrêa do Lago classificou o encontro como “construtivo e necessário”, afirmando que os indígenas entregaram documentos com reivindicações que serão encaminhadas às autoridades responsáveis.

Durante o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também apresentou dados sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde global. Segundo ele, mais de 60% da população mundial já sofre consequências diretas desse cenário, e um em cada 12 hospitais corre risco de paralisação devido a eventos climáticos extremos.
“Essas evidências reforçam que a crise climática é, também, uma crise de saúde pública”, destacou.

Jornalista responsável pela foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Redação Brasil News

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ONU envia carta ao governo e aponta falhas na organização da COP30; Casa Civil contesta críticas. https://brasilnews.tv/onu-envia-carta-ao-governo-e-aponta-falhas-na-organizacao-da-cop30-casa-civil-contesta-criticas/ https://brasilnews.tv/onu-envia-carta-ao-governo-e-aponta-falhas-na-organizacao-da-cop30-casa-civil-contesta-criticas/#respond Sat, 15 Nov 2025 09:24:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3456 O governo brasileiro recebeu, nesta semana, uma carta oficial assinada por Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC), com críticas à estrutura e à segurança da COP30, realizada em Belém. O documento relata vulnerabilidades registradas após um grupo de manifestantes tentar ultrapassar a área de acesso restrito na noite de terça-feira (11/11).

Segundo Stiell, os ativistas chegaram a passar pelo sistema de raio-X antes de serem contidos por uma barreira interna. Portas foram danificadas e um segurança ficou ferido durante a ação. A carta destaca que o local apresentava portas sem vigilância, número insuficiente de agentes e incerteza quanto à resposta coordenada de autoridades estaduais e federais — o que, segundo o texto, configura descumprimento de acordos prévios.

O documento também faz referência a problemas estruturais, como alta temperatura nos pavilhões, funcionamento irregular do ar-condicionado e episódios de goteiras. Para a ONU, as condições exigem “intervenção imediata” a fim de proteger delegados e equipes técnicas.

A Casa Civil respondeu às críticas afirmando que a segurança interna da conferência é definida e coordenada pelo Departamento das Nações Unidas para Segurança e Proteção (UNDSS), responsável por determinar medidas e protocolos dentro da área oficial do evento. O governo federal reforçou que todas as solicitações feitas pelo órgão vêm sendo atendidas.

Em nota, a Casa Civil informou que, após reunião com o UNDSS e representantes estaduais, houve ampliação dos perímetros de segurança e instalação de novas barreiras metálicas em pontos considerados vulneráveis. Também foram adicionados equipamentos de ar-condicionado para mitigar o calor nos espaços mais movimentados.

Sobre relatos de alagamentos, o governo negou que tenham ocorrido inundações. Segundo a pasta, houve apenas vazamentos pontuais causados pelo rompimento de calhas no Centro de Mídia e no Posto de Saúde 2 — estruturas que, conforme o comunicado, já passaram por reparos e vedação.

A COP30 continua recebendo ajustes logísticos enquanto delegações internacionais seguem acompanhando o debate global sobre clima e preservação ambiental.

Foto: Pascal Le Segretain / Getty Images

Redação Brasil News

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Economista Esther Duflo defende precificação do carbono e repasses diretos a populações vulneráveis na COP30. https://brasilnews.tv/economista-esther-duflo-defende-precificacao-do-carbono-e-repasses-diretos-a-populacoes-vulneraveis-na-cop30/ https://brasilnews.tv/economista-esther-duflo-defende-precificacao-do-carbono-e-repasses-diretos-a-populacoes-vulneraveis-na-cop30/#respond Fri, 14 Nov 2025 09:00:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3389 Na COP30, realizada em Belém, a economista francesa Esther Duflo — vencedora do Prêmio Nobel de Economia em 2019 — destacou a urgência de que países em desenvolvimento passem a adotar formas de precificação do carbono como parte de seus esforços para enfrentar a crise climática. Para Duflo, a implementação de taxas ou mecanismos semelhantes deve vir acompanhada de programas de transferência direta de renda para as comunidades mais vulneráveis, estratégia que ela considera essencial para um modelo de financiamento climático justo e eficiente.

A pesquisadora, professora do MIT, participa da conferência para apresentar sua proposta conhecida como “Just Economics”, apelidada de “Pix do clima”. A iniciativa prevê que nações ricas assumam a responsabilidade de compensar populações pobres pelos impactos do aquecimento global, enquanto governos de baixa e média renda se comprometem a criar sistemas próprios de taxação do carbono.
Segundo ela, esse equilíbrio permitiria alinhar justiça social e metas ambientais, garantindo que o dinheiro chegue de forma rápida e direta às pessoas mais afetadas.

Duflo afirmou também que a mobilização internacional para alcançar o objetivo de levantar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático ainda enfrenta resistência, mas que existe crescente apoio popular — especialmente em países desenvolvidos — para medidas que cobrem mais impostos de grandes fortunas, empresas e produtos com alta pegada ambiental. Embora não espere que todos os acordos avancem imediatamente na COP30, ela avalia que “os primeiros passos já foram dados” e que a construção desse sistema é um processo de longo prazo.

A economista explicou ainda que precificar o carbono ajudaria países como o Brasil a tomar decisões mais responsáveis sobre exploração de petróleo, incluindo na Amazônia. De acordo com sua proposta, valores diferenciados poderiam ser aplicados conforme o nível de desenvolvimento, indo de US$ 10 por tonelada de CO₂ em países mais pobres a US$ 50 para economias maiores. “Um preço zero incentiva projetos ineficientes e não reflete o custo real da poluição”, afirmou.

Crítica contundente dos mercados voluntários de carbono, Duflo classificou esse modelo como insuficiente e arriscado, defendendo mecanismos regulados por governos nacionais ou multilaterais. Para ela, apenas regras claras e abrangentes podem evitar distorções, fraudes e práticas de greenwashing que prejudicam a proteção ambiental.

Durante sua passagem por Belém, Duflo disse que pretende dialogar com comunidades tradicionais da Amazônia para compreender suas experiências diretas com os efeitos das mudanças climáticas, especialmente em relação à insegurança alimentar, ao trabalho sob calor extremo e aos impactos sobre a saúde — problemas que ela considera centrais para entender o alcance humano da crise ambiental.

Foto: Jeremy Suyker/Bloomberg

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Açaí ganha destaque na COP30 e simboliza o avanço da bioeconomia amazônica. https://brasilnews.tv/acai-ganha-destaque-na-cop30-e-simboliza-o-avanco-da-bioeconomia-amazonica/ https://brasilnews.tv/acai-ganha-destaque-na-cop30-e-simboliza-o-avanco-da-bioeconomia-amazonica/#respond Thu, 13 Nov 2025 19:00:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3366 O açaí, símbolo da cultura amazônica e agora também da COP30 em Belém (PA), é o novo protagonista da bioeconomia brasileira. O fruto, antes associado à subsistência das populações ribeirinhas, transformou-se em um motor econômico sustentável, movimentando R$ 7,77 bilhões em 2024, segundo dados do IBGE.

Com 1,74 milhão de toneladas produzidas em mais de 260 mil hectares, o Pará responde por cerca de 90% da produção nacional, seguido por Amapá e Amazonas. Nos últimos três anos, o setor cresceu 78%, consolidando o açaí como uma das cadeias produtivas mais promissoras da Amazônia.

“O açaí deixou de ser apenas extrativismo e passou a representar um modelo de manejo florestal sustentável, gerando renda e garantindo alimento para milhares de famílias”, explica Alfredo Homma, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

Do extrativismo à produção sustentável

Grande parte do sucesso vem da transição para o manejo planejado. Segundo Homma, cerca de 225 mil hectares na região Norte já operam sob esse modelo, o que aumentou a produtividade e permitiu que o fruto esteja disponível durante todo o ano. “O consumo, que era sazonal, tornou-se permanente, impulsionando o mercado local e nacional”, afirma.

O açaí manejado forma bosques homogêneos de açaizeiros, garantindo colheitas regulares e preservando o equilíbrio ambiental. Em comunidades ribeirinhas, ele continua sendo base alimentar e fonte de renda: propriedades de 5 a 10 hectares produzem até 36 toneladas por safra, sendo parte consumida pela própria família.

Mercado interno em expansão e desafios da produção

O mercado interno ainda domina o consumo, representando 80% da demanda total, segundo o Sebrae. O fruto é amplamente consumido nas capitais do Sudeste e Centro-Oeste, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. No Pará, o consumo per capita varia de 15 a 26 quilos por ano, evidenciando sua importância na alimentação regional.

Apesar da expansão, o setor enfrenta desafios estruturais. A falta de mão de obra qualificada e os altos custos de irrigação são os principais gargalos. “O cultivo em terra firme exige irrigação constante, o que aumenta os custos e limita o acesso de pequenos produtores”, explica Victor Ferreira, analista de competitividade do Sebrae.

Além disso, produtores que desejam exportar enfrentam barreiras de certificação e requisitos internacionais. “Para competir no mercado global, é preciso garantir rastreabilidade e certificações como a Global Gap. Por isso, o Sebrae apoia cooperativas e capacita agricultores a atender essas normas”, complementa Ferreira.

Exportações e protagonismo global

O açaí brasileiro já chega a mais de 50 países, com destaque para Estados Unidos, Japão, Alemanha e Austrália. Em 2024, as exportações renderam US$ 2,7 milhões. O produto também conquista espaço na indústria de alimentos, cosméticos e suplementos naturais, ampliando seu alcance e valor agregado.

Empresas brasileiras começam a ganhar visibilidade internacional. A rede Açaí Concept, fundada em Maceió (AL) em 2014, tornou-se um dos maiores exemplos de expansão global do setor, com 50 lojas no exterior e planos de abrir 500 novas unidades em cinco anos.

“O mundo quer o sabor e a energia do Brasil. Expandir o açaí é levar um pedaço da Amazônia para o planeta”, afirma Rodrigo Melo, CEO da Açaí Concept.

Açaí: símbolo da bioeconomia e da segurança alimentar

Mais do que um produto de exportação, o açaí é um símbolo de segurança alimentar e identidade cultural amazônica. Seu manejo sustentável contribui para a preservação da floresta e o desenvolvimento das comunidades tradicionais, reforçando o papel da Amazônia na agenda climática global.

“O açaí é o elo entre a natureza, a economia e a cultura amazônica. Representa o futuro da bioeconomia brasileira”, resume Victor Ferreira, do Sebrae.

📸 Fotos: Ronaldo Rosa / Divulgação
✍ Redação Brasil News

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Protestos e impasses marcam o terceiro dia da COP30 em Belém; China surpreende com queda nas emissões. https://brasilnews.tv/protestos-e-impasses-marcam-o-terceiro-dia-da-cop30-em-belem-china-surpreende-com-queda-nas-emissoes/ https://brasilnews.tv/protestos-e-impasses-marcam-o-terceiro-dia-da-cop30-em-belem-china-surpreende-com-queda-nas-emissoes/#respond Wed, 12 Nov 2025 13:59:40 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3326 O terceiro dia da COP30, realizado nesta terça-feira (11) em Belém (PA), foi dominado por um misto de tensão política e avanços discretos. Um protesto de manifestantes indígenas e ambientalistas surpreendeu o esquema de segurança do evento, enquanto as negociações sobre combustíveis fósseis enfrentaram resistência da Arábia Saudita, e a China chamou atenção com novos dados sobre redução de emissões de carbono.

Durante a manhã, o clima de instabilidade se acentuou quando grupos de manifestantes tentaram forçar a entrada na área principal da conferência. O episódio mobilizou forças de segurança e provocou interrupções temporárias na programação. Apesar do impasse, o diálogo entre os organizadores e representantes dos movimentos sociais foi restabelecido sem registro de feridos.

Nos bastidores das negociações, a transição energética voltou a ser o principal ponto de discórdia. Delegações pressionaram por metas mais firmes de redução do uso de combustíveis fósseis, mas a Arábia Saudita manteve posição contrária a qualquer compromisso que limite a exploração de petróleo. Por depender do consenso entre países, o impasse pode atrasar um dos acordos mais esperados da conferência.

Em contraste, a China apresentou um panorama mais otimista: suas emissões de dióxido de carbono (CO₂) se mantêm estáveis há 18 meses e, segundo o instituto Carbon Brief, o país deve encerrar 2025 com o primeiro recuo real em anos. O avanço é atribuído ao crescimento expressivo da energia solar e eólica e à redução no consumo de combustíveis fósseis.

“A China demonstra liderança na transição verde. O movimento global deve acompanhar esse ritmo”, afirmou o governador da Califórnia, Gavin Newsom, que participa da conferência como observador internacional.

Sob a presidência brasileira, a COP30 também enfrenta seu primeiro grande desafio diplomático: mediar quatro temas sensíveis que ficaram de fora da pauta oficial — financiamento climático, comércio internacional, metas de mitigação e relatórios de implementação. A estratégia do Brasil tem sido tratar os assuntos em consultas paralelas, na tentativa de destravar as discussões antes da reta final do evento.

Apesar das tensões, houve espaço para momentos simbólicos. O grupo G77 + China, que reúne 134 países em desenvolvimento, recebeu o prêmio “Raio do Dia”, concedido por organizações ambientais como a Climate Action Network. A homenagem destacou a defesa do bloco por uma transição justa, capaz de equilibrar sustentabilidade, economia e inclusão social.

Enquanto as discussões avançam, a cultura amazônica também ganha visibilidade. A arte marajoara, com suas formas geométricas e tons inspirados em pigmentos naturais, foi apresentada em um dos espaços da conferência como símbolo da identidade paraense.

A COP30 segue até o fim de novembro, com expectativa de anúncios concretos sobre financiamento verde e novas metas globais de redução de carbono.

📸 Foto: Anderson Coelho / Reuters
✍ Redação Brasil News

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