bioeconomia – Brasil News https://brasilnews.tv Portal de informações comprometido com a verdade, a clareza e a responsabilidade jornalística. Aqui, você encontra notícias aprofundadas, análises confiáveis e um jornalismo independente, feito para quem busca entender os fatos além das manchetes. Wed, 12 Nov 2025 19:18:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://brasilnews.tv/wp-content/uploads/2025/05/cropped-Brasil-News-Logo-1080-x-1080-px-32x32.png bioeconomia – Brasil News https://brasilnews.tv 32 32 Açaí ganha destaque na COP30 e simboliza o avanço da bioeconomia amazônica. https://brasilnews.tv/acai-ganha-destaque-na-cop30-e-simboliza-o-avanco-da-bioeconomia-amazonica/ https://brasilnews.tv/acai-ganha-destaque-na-cop30-e-simboliza-o-avanco-da-bioeconomia-amazonica/#respond Thu, 13 Nov 2025 19:00:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3366 O açaí, símbolo da cultura amazônica e agora também da COP30 em Belém (PA), é o novo protagonista da bioeconomia brasileira. O fruto, antes associado à subsistência das populações ribeirinhas, transformou-se em um motor econômico sustentável, movimentando R$ 7,77 bilhões em 2024, segundo dados do IBGE.

Com 1,74 milhão de toneladas produzidas em mais de 260 mil hectares, o Pará responde por cerca de 90% da produção nacional, seguido por Amapá e Amazonas. Nos últimos três anos, o setor cresceu 78%, consolidando o açaí como uma das cadeias produtivas mais promissoras da Amazônia.

“O açaí deixou de ser apenas extrativismo e passou a representar um modelo de manejo florestal sustentável, gerando renda e garantindo alimento para milhares de famílias”, explica Alfredo Homma, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

Do extrativismo à produção sustentável

Grande parte do sucesso vem da transição para o manejo planejado. Segundo Homma, cerca de 225 mil hectares na região Norte já operam sob esse modelo, o que aumentou a produtividade e permitiu que o fruto esteja disponível durante todo o ano. “O consumo, que era sazonal, tornou-se permanente, impulsionando o mercado local e nacional”, afirma.

O açaí manejado forma bosques homogêneos de açaizeiros, garantindo colheitas regulares e preservando o equilíbrio ambiental. Em comunidades ribeirinhas, ele continua sendo base alimentar e fonte de renda: propriedades de 5 a 10 hectares produzem até 36 toneladas por safra, sendo parte consumida pela própria família.

Mercado interno em expansão e desafios da produção

O mercado interno ainda domina o consumo, representando 80% da demanda total, segundo o Sebrae. O fruto é amplamente consumido nas capitais do Sudeste e Centro-Oeste, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. No Pará, o consumo per capita varia de 15 a 26 quilos por ano, evidenciando sua importância na alimentação regional.

Apesar da expansão, o setor enfrenta desafios estruturais. A falta de mão de obra qualificada e os altos custos de irrigação são os principais gargalos. “O cultivo em terra firme exige irrigação constante, o que aumenta os custos e limita o acesso de pequenos produtores”, explica Victor Ferreira, analista de competitividade do Sebrae.

Além disso, produtores que desejam exportar enfrentam barreiras de certificação e requisitos internacionais. “Para competir no mercado global, é preciso garantir rastreabilidade e certificações como a Global Gap. Por isso, o Sebrae apoia cooperativas e capacita agricultores a atender essas normas”, complementa Ferreira.

Exportações e protagonismo global

O açaí brasileiro já chega a mais de 50 países, com destaque para Estados Unidos, Japão, Alemanha e Austrália. Em 2024, as exportações renderam US$ 2,7 milhões. O produto também conquista espaço na indústria de alimentos, cosméticos e suplementos naturais, ampliando seu alcance e valor agregado.

Empresas brasileiras começam a ganhar visibilidade internacional. A rede Açaí Concept, fundada em Maceió (AL) em 2014, tornou-se um dos maiores exemplos de expansão global do setor, com 50 lojas no exterior e planos de abrir 500 novas unidades em cinco anos.

“O mundo quer o sabor e a energia do Brasil. Expandir o açaí é levar um pedaço da Amazônia para o planeta”, afirma Rodrigo Melo, CEO da Açaí Concept.

Açaí: símbolo da bioeconomia e da segurança alimentar

Mais do que um produto de exportação, o açaí é um símbolo de segurança alimentar e identidade cultural amazônica. Seu manejo sustentável contribui para a preservação da floresta e o desenvolvimento das comunidades tradicionais, reforçando o papel da Amazônia na agenda climática global.

“O açaí é o elo entre a natureza, a economia e a cultura amazônica. Representa o futuro da bioeconomia brasileira”, resume Victor Ferreira, do Sebrae.

📸 Fotos: Ronaldo Rosa / Divulgação
✍ Redação Brasil News

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Cânhamo pode revolucionar o agronegócio: cultura sustentável promete lucro de até R$ 23 mil por hectare. https://brasilnews.tv/canhamo-pode-revolucionar-o-agronegocio-cultura-sustentavel-promete-lucro-de-ate-r-23-mil-por-hectare/ https://brasilnews.tv/canhamo-pode-revolucionar-o-agronegocio-cultura-sustentavel-promete-lucro-de-ate-r-23-mil-por-hectare/#respond Tue, 11 Nov 2025 14:20:00 +0000 https://brasilnews.tv/?p=3298 O cânhamo, uma variedade da Cannabis sativa com baixo teor de THC, está ganhando destaque no agronegócio brasileiro como uma das culturas mais promissoras e rentáveis da atualidade. Diferente da cannabis medicinal, usada para fins terapêuticos e com concentrações elevadas da substância psicoativa, o cânhamo tem uso exclusivamente industrial e não provoca efeitos alucinógenos.

Seus derivados são amplamente utilizados em diversos setores: tecidos, cosméticos, alimentos, bioplásticos, biocombustíveis e até materiais de construção ecológica. Além da versatilidade, a planta apresenta alto potencial econômico e ambiental, podendo gerar lucro estimado em R$ 23 mil por hectare, segundo estudo da consultoria Kaya Mind — valor cerca de 11 vezes maior que o da soja.

Além da rentabilidade, o cânhamo é considerado um aliado da sustentabilidade. Ele cresce em até 100 dias, exige poucos insumos, melhora a estrutura do solo e capta grandes quantidades de CO₂, o que o torna um importante componente da chamada “revolução verde” no campo. A cadeia produtiva também gera até 17 empregos por hectare cultivado, segundo experiências de países como a Colômbia e o Canadá.

🌱 Situação legal e avanços no Brasil

Atualmente, o cultivo do cânhamo ainda não é plenamente liberado no país, mas o cenário vem mudando. Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a planta com menos de 0,3% de THC não deve ser classificada como ilegal, abrindo caminho para o desenvolvimento do setor.

A Anvisa já autorizou mais de 50 produtos à base de canabidiol (CBD) e trabalha na revisão da Resolução RDC 327, que deve ampliar as regras para produção e comercialização até o final de 2025. Paralelamente, o Projeto de Lei 399/2015, em tramitação no Congresso Nacional, propõe regulamentar o cultivo da cannabis medicinal e do cânhamo industrial.

🌾 Potencial econômico e científico

Segundo a Embrapa, o cânhamo pode se tornar uma nova fronteira agrícola no Brasil. A instituição possui 43 unidades de pesquisa e mais de 600 laboratórios, aptos a desenvolver uma cadeia produtiva rastreável e sustentável.

“O cânhamo tem potencial para integrar programas de bioeconomia, agregando valor e promovendo desenvolvimento ambiental e social”, afirma a pesquisadora Beatriz Emygdio, da Embrapa Agroenergia.

Estudos de mercado indicam que, com a regulamentação, o setor pode movimentar R$ 5 bilhões em quatro anos, com arrecadação tributária estimada em R$ 330 milhões.

🚜 O agro já se prepara

Mesmo antes da liberação definitiva, grandes grupos agrícolas, startups e investidores já se organizam para iniciar cultivos experimentais e desenvolver tecnologias adaptadas ao clima brasileiro. O interesse é impulsionado não apenas pela lucratividade, mas também pela demanda crescente por produtos sustentáveis e biodegradáveis.

Enquanto a legislação ainda avança, o cânhamo se firma como símbolo de inovação e sustentabilidade no campo brasileiro — uma cultura que une rentabilidade, ecologia e geração de empregos, abrindo caminho para uma nova era verde no agronegócio.

📸 Foto: Thiago Pereira / Brasil News

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